Sunday, August 29, 2004

Algumas linhas sobre Evandro Teixeira

Falar da vida pessoal de Evandro Teixeira é quase desnecessário: amigos e colegas de trabalho concordam que a vida do fotógrafo se mistura com sua história – e até mesmo com a história do país. Com mais de 40 anos de carreira, na adolescência ele nem pensava em ser fotógrafo, quanto mais em ir trabalhar no Rio de Janeiro e se tornar um profissional internacionalmente respeitado e admirado.
Nascido numa cidade do interior da Bahia, a princípio quis ser escultor ou militar; sua primeira experiência como profissional de fotografia foi na revista Cruzeiro, estagiando em seguida no Diário de Notícias. Em 1957, graças ao convite do compositor Mapin (Manoel Pinto), Evandro Teixeira mudou-se para o Rio de Janeiro, e em 1963 empregou-se no Jornal do Brasil, onde trabalha até os dias de hoje.
Cobrindo várias áreas, como política, comércio, eventos sociais, esportivos e inclusive do mundo da moda, o fotógrafo baiano se destacou na profissão. Suas fotos contam um pouco da história do Brasil, atravessando a ditadura militar e a censura característica da época, retratando figuras importantes nos cenários nacional e internacional, capturando a realidade do sertão e muito mais. “Para mim não há nada mais brasileiro do que a fotografia do Evandro”, diz o também fotógrafo Sebastião Salgado, que em outro momento de seu depoimento (encontrado no site oficial de Evandro Teixeira, www.evandroteixeira.net), afirma: “Vejo as fotografias do Evandro e vejo o Evandro nas fotos dele”.
Já o repórter Fritz Utzeri, além de afirmar que “se Evandro Teixeira vivesse em Nova Iorque ou Paris, seria um dos fotógrafos mais conhecidos do mundo”, equipara-o em inúmeros aspectos a ícones da fotografia no mundo, dizendo que tem “talento e sensibilidade de um Cartier-Bresson, de um Robert Capa, de um Sebastião Salgado. Evandro é um patrimônio vivo da fotografia”.
Tantas exaltações não são exagero: Evandro Teixeira já expôs seu trabalho em toda Europa e em países como Estados Unidos, Cuba, México e Buenos Aires; publicou dois livros; suas fotos estão no acervo de museus como MAM, MASP e Museu de Belas Artes de Zurich; foi vencedor de inúmeros concursos, dentre eles o da Nikon e o da Unesco. Além disso, ele foi o único fotógrafo a registrar a tomada do Forte de Copacabana em 1964, além de presenciar, em 1973, o golpe de Pinochet e a morte de Pablo Neruda, em seguida, no Chile.
Enumerar os momentos marcantes que o fotógrafo capturou seria exaustivo e desnecessário: tanto melhor é conhecer seu trabalho. Além das fotos publicadas no Jornal do Brasil, foi lançado no último dia 3 de agosto um documentário – intitulado Instantâneos de Realidade e dirigido por Paulo Fontenelle – sobre a obra de Evandro Teixeira, que participa durante todo o mês da exposição Magic Moments II, patrocinada pela Leica, ao lado de outros grandes nomes, como Cartier-Bresson e René Burri.

Ref. Bibliograficas - Aug.12th.04
http://www.evandroteixeira.net
http://www.cenaurbana.com.br/cultura/fotografia/evandro01.htm
http://www.correiodobrasil.com.br/poesia.asp?c=159

entregue em Aug.19th.04

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