Exercícios sobre o texto “Imprensa escrita e telejornal”, do livro homônimo de Juvenal Zanchetta Jr. (São Paulo, Unesp, 2004:37-98)
1. Que mudanças ocorrem no perfil do texto da notícia a partir do século XX?
A partir do século XX, a forma da notícia se modificou e assumiu o modelo que utilizamos até hoje. Primeiramente, os textos jornalísticos perderam o caráter narrativo e opinativo – que os acompanhava desde o século passado, influência principalmente da ligação com a literatura – e assumiram uma postura de distanciamento da notícia, conseguido através da objetividade e da [suposta] neutralidade da linguagem. Dentro desse novo formato, as notícias passaram a ter o que se chama de “lide” – do inglês lead, que significa liderar –, parágrafo inicial em que estão concentradas as principais informações da notícia, num modelo chamado de “pirâmide invertida”. Diferentemente da estrutura narrativa do século anterior, em que os dados eram colocados por ordem cronológica, na pirâmide invertida as informações que aparecem primeiro são as consideradas mais importantes, ou seja, aquelas que ‘resumem’, por assim dizer, a notícia. Convencionou-se serem elas: QUEM, O QUE, QUANDO, ONDE e POR QUÊ.
Esse novo formato teve muito a ver com os avanços tecnológicos da época e com a influência das notícias e das agências internacionais nas redações. As informações que vinham do exterior eram passadas via telégrafo, e as transmissões destes costumavam ser interrompidas antes do fim da mensagem, então se adotou a colocação dos dados principais no início do texto.
Outra mudança notável na imprensa do século XX é a “organização empresarial” dos jornais, uma novidade para a época. As funções internas passaram a ser divididas, o objetivo do produto final passou a ser o mercado consumidor e as decisões se concentraram nas mãos do dono. Entre outras coisas, isso gerou uma “suavização da tonalidade ideológica” dos jornais, característica marcante da imprensa do século anterior, caracterizada pelos textos altamente opinativos. Esses textos ficaram restritos aos artigos assinados e aos editoriais, enquanto o resto das notícias buscava a neutralidade.
Além desses, ainda há outros fatores a se considerar, como o crescimento, ainda que lento, do público leitor, as várias “conturbações” do século (Guerras, epidemias, etc.) e os avanços tecnológicos, que permitiriam uma transmissão mais veloz e eficiente das notícias, além de possibilitar o aumento das tiragens e facilitar a distribuição do exemplares.
2. Enumere e explique oito características capazes de atribuir um valor-notícia a determinado acontecimento. Procure exemplificar cada uma delas.
1) Proximidade – se um fato acontece na mesma comunidade do leitor, ele se torna interesse dela. Para os moradores de São Paulo capital, por exemplo, o aumento na tarifa de ônibus tem um valor-notícia alto (que, para quem mora em Florianópolis, não vai existir, ou vai ser consideravelmente menor), porque afeta diretamente à comunidade. O mesmo acontece se um médico cirurgião é condenado após a morte de um paciente: a comunidade médica e a comunidade das pessoas que estão para fazer uma cirurgia desse tipo terá um grande interesse nessa notícia.
2) Interesse Humano – fatos que sensibilizam as pessoas, em geral por apresentarem as mazelas de um determinado grupo. As estatísticas sobre o número crescente de crianças que morrem desnutridas no Brasil (ou em qualquer outro lugar), uma mãe que reencontra seu filho raptado há mais de vinte anos em uma maternidade ou um acidente de avião com trezentos mortos são exemplos desses fatos cujo valor-notícia é alto pelo apelo emocional que trazem.
3) Dinheiro – quase dispensa explicações. Dinheiro é o que move o mundo, então tudo o que disser respeito a ele é mais do que de interesse dos leitores: a queda da bolsa, o aumento do dólar, a falência de uma empresa com ações no mercado, uma crise de mercado, enfim, tudo o que possa afetar a vida das pessoas com relação a ganhar ou perder dinheiro, tem valor-notícia altíssimo.
4) Utilidade – serviços ao leitor. Divulgar eventos e novas descobertas que possam facilitar a vida das pessoas, informar sobre cuidados com determinadas doenças ou com certas situações, etc., tudo o que possa, como o nome já diz, ser útil ao leitor.
5) Oportunidade – notícias que não teriam interesse em situações comuns, mas que em determinados casos ganham destaque. Em geral filas em ruas movimentadas não são notícia; mas quando é época de eleição esse fato pode virar notícia sob o título de ‘Trânsito na Capital está cada vez mais caótico’, num jornal sensacionalista de oposição, por exemplo.
6) Celebridade e Culto de Heróis – Notícias que não teriam nenhum interesse para o público, não fosse o fato de que aconteceram com uma personalidade pública. Numa cidade como São Paulo, por exemplo, nenhum jornal há de noticiar nem um milésimo dos acidentes de carro (a não ser que seja brutal, que envolva muitos mortos, que desvie muito o trânsito, etc.); porém, se quem bate o carro é um jogador de futebol famoso, que quebra a perna de um menino inocente e foge sem prestar socorro, então esse acidente vira notícia.
7) Sexo e idade – assuntos que não trazem informações factuais, mas que recebem atenção dos leitores. Matérias que dialogam com determinadas faixas etárias também atraem o público. Uma tendência comportamental dos adolescentes ou um método oriental que ajudar a desestressar são exemplos de notícias que adquirem valor quando focalizados os seus públicos alvo: os adolescentes (e mesmo os pais deles), no primeiro caso, e os adultos economicamente ativos que trabalham demais e se interessariam por formas de relaxar um pouco.
8) Rivalidade – é o que faz com que o torcedor de futebol leia a coluna de esportes (saber quem ganhou, de quem, por quanto, quando e aonde é algo quase necessário na vida de um número considerável de pessoas), e muitas vezes é também o que faz uma notícia de política aparentemente sem importância receber muita atenção da imprensa – a rixa entre dois políticos de um mesmo partido por uma vaga de importância questionável dentro da estrutura da sigla também seria um exemplo disso.
3. Descreva o texto noticioso contemporâneo no que se refere a:
a. Síntese,
b. Concretude,
c. Repertório verbal.
O texto noticioso procura ser sintético, apresentando as principais informações no primeiro parágrafo (lide: quem, o que, onde, quando, por quê), e explicando como os fatos de desenrolaram até chegar naquele estado (como). Essa explicação busca contextualizar a notícia e ambientalizar o leitor, no caso de ele não estar acompanhando os últimos acontecimentos sobre o tema. A notícia também fala das conseqüências do fato que está informando. O texto noticioso não especula. Ele apresenta informações concretas e comprováveis – um acidente de carro, a vitória de um time de futebol, uma medida provisória assinada, etc –, baseadas nas declarações das fontes (citações) e no documentos encontrados. O texto noticioso pode, no máximo, expor as previsões de um especialista ou de um grupo de pessoas que se destaquem na área tratada – um teólogo fala sobre o que pode vir com a escolha do novo papa, um economista prevê o que pode acontecer com a nova queda do dólar, um meteorologista que expõe a possível chuva do fim de semana ou a chegada esperada de uma frente fria na quarta-feira.
Quanto ao repertório verbal, o texto noticioso procura ser claro e objetivo, feito para que o leitor o entenda. As frases são curtas, sem uma série de orações coordenadas e/ou subordinadas, e não usam vocabulário rebuscado. Zanchetta cita o exemplo: em vez de ébrio, deve-se usar bêbado. As palavras não podem dar margem a segundas ou terceiras interpretações e nem devem ser tão fora do comum que façam o leitor consultar um dicionário a cada parágrafo. Isso tudo, porém, difere de utilizar vocabulário pobre ou subjugar a inteligência do leitor: uma coisa é ser simples, outra é ser simplista. Ainda sobre o vocabulário, é desaconselhável usar jargões e expressões técnicas de áreas específicas; em editorias como Economia e Política, o texto jornalístico apresenta alguns termos não usuais, mas que podem, ainda que com alguma dificuldade, ser entendidos por um leitor leigo no assunto.
4. Qual a organização da pirâmide invertida, estrutura convencional da notícia no jornalismo contemporâneo?
A pirâmide invertida apresenta os fatos mais importantes logo no primeiro parágrafo (lide) da notícia, e os menos importantes (ou às vezes menos objetivos) nos parágrafos seguintes. Desse modo, o texto noticioso começa denso de informações novas e vai apresentando menos novidades com o passar do texto, daí o nome “pirâmide invertida”.
QUEM, O QUÊ, QUANDO, ONDE e POR QUÊ são os dados que devem constar no lead. Não necessariamente nessa ordem, eles dão uma idéia geral e razoavelmente completa de que fato está sendo noticiado. “O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajou ontem para Roma, onde vai acompanhar a eleição do novo papa.” Os parágrafos seguintes abordam o COMO da notícia.
5. Que peso têm as operações técnicas sobre os efeitos de objetividade e neutralidade do texto jornalístico?
As operações técnicas influenciaram muito a objetividade e a neutralidade do texto jornalístico. Com o surgimento dos telégrafos, por exemplo, foi possível transmitir informações para regiões distantes de forma muito mais eficaz e veloz do que antes. Porém, as mensagens que chegavam via telégrafo em geral tinham suas transmissões interrompidas pro falhas técnicas, e então era preciso redigir a notícia com as informações que haviam chegado. Por isso, adotou-se que em vez descrever cronologicamente os fatos, eles deveriam ser organizados em ordem de importância, e assim se a transmissão fosse interrompida, os dados principais já teriam chegado. Também o tipo de diagramação e impressão dos jornais era beneficiado com essa estrutura de notícias: às vezes o texto ficava maior que o espaço a que ele se destinava, então o editor [literalmente] cortava o último parágrafo da notícia, sem ‘nenhum’ prejuízo na transmissão da informação – na época, as placas usadas para imprimir tinham cada texto produzido individualmente, linha por linha, sendo impossível re-escrever uma notícia para cortar duas linhas, ou mesmo um parágrafo.
O avanço das técnicas de impressão – as prensas rotativas, por exemplo – também representou muito para as mudanças nos textos jornalísticos. Com o custo mais baixo do papel e da impressão, a concorrência aumentava, o preço ao consumidor diminuía (o número de leitores aumentava), e as mídias tinham que conquistar a confiança e a fidelidade do leitor; para isso, era preciso passar uma imagem de neutralidade e compromisso com a verdade, sem registrar impressões pessoais do repórter ou posições político-econômicas da direção do jornal. O aumento das redes rodoviária e ferroviária, que facilitaram, baratearam e agilizaram a distribuição dos jornais, também é um fator que influencia o texto noticioso, pelo fato de ele q chegar mais longe, ou seja, se destinar a um público maior e mais diverso, e dessa forma necessitar cada vez mais de uma linguagem neutra e objetiva.
Em resumo, as tecnologias facilitaram a produção e a distribuição dos jornais, e o aumento de público (que em parte esteve muito ligado a essas facilidades tecnológicas) também influenciou fortemente na estrutura do texto jornalístico.
entregue em Apr.26th.2005
A partir do século XX, a forma da notícia se modificou e assumiu o modelo que utilizamos até hoje. Primeiramente, os textos jornalísticos perderam o caráter narrativo e opinativo – que os acompanhava desde o século passado, influência principalmente da ligação com a literatura – e assumiram uma postura de distanciamento da notícia, conseguido através da objetividade e da [suposta] neutralidade da linguagem. Dentro desse novo formato, as notícias passaram a ter o que se chama de “lide” – do inglês lead, que significa liderar –, parágrafo inicial em que estão concentradas as principais informações da notícia, num modelo chamado de “pirâmide invertida”. Diferentemente da estrutura narrativa do século anterior, em que os dados eram colocados por ordem cronológica, na pirâmide invertida as informações que aparecem primeiro são as consideradas mais importantes, ou seja, aquelas que ‘resumem’, por assim dizer, a notícia. Convencionou-se serem elas: QUEM, O QUE, QUANDO, ONDE e POR QUÊ.
Esse novo formato teve muito a ver com os avanços tecnológicos da época e com a influência das notícias e das agências internacionais nas redações. As informações que vinham do exterior eram passadas via telégrafo, e as transmissões destes costumavam ser interrompidas antes do fim da mensagem, então se adotou a colocação dos dados principais no início do texto.
Outra mudança notável na imprensa do século XX é a “organização empresarial” dos jornais, uma novidade para a época. As funções internas passaram a ser divididas, o objetivo do produto final passou a ser o mercado consumidor e as decisões se concentraram nas mãos do dono. Entre outras coisas, isso gerou uma “suavização da tonalidade ideológica” dos jornais, característica marcante da imprensa do século anterior, caracterizada pelos textos altamente opinativos. Esses textos ficaram restritos aos artigos assinados e aos editoriais, enquanto o resto das notícias buscava a neutralidade.
Além desses, ainda há outros fatores a se considerar, como o crescimento, ainda que lento, do público leitor, as várias “conturbações” do século (Guerras, epidemias, etc.) e os avanços tecnológicos, que permitiriam uma transmissão mais veloz e eficiente das notícias, além de possibilitar o aumento das tiragens e facilitar a distribuição do exemplares.
2. Enumere e explique oito características capazes de atribuir um valor-notícia a determinado acontecimento. Procure exemplificar cada uma delas.
1) Proximidade – se um fato acontece na mesma comunidade do leitor, ele se torna interesse dela. Para os moradores de São Paulo capital, por exemplo, o aumento na tarifa de ônibus tem um valor-notícia alto (que, para quem mora em Florianópolis, não vai existir, ou vai ser consideravelmente menor), porque afeta diretamente à comunidade. O mesmo acontece se um médico cirurgião é condenado após a morte de um paciente: a comunidade médica e a comunidade das pessoas que estão para fazer uma cirurgia desse tipo terá um grande interesse nessa notícia.
2) Interesse Humano – fatos que sensibilizam as pessoas, em geral por apresentarem as mazelas de um determinado grupo. As estatísticas sobre o número crescente de crianças que morrem desnutridas no Brasil (ou em qualquer outro lugar), uma mãe que reencontra seu filho raptado há mais de vinte anos em uma maternidade ou um acidente de avião com trezentos mortos são exemplos desses fatos cujo valor-notícia é alto pelo apelo emocional que trazem.
3) Dinheiro – quase dispensa explicações. Dinheiro é o que move o mundo, então tudo o que disser respeito a ele é mais do que de interesse dos leitores: a queda da bolsa, o aumento do dólar, a falência de uma empresa com ações no mercado, uma crise de mercado, enfim, tudo o que possa afetar a vida das pessoas com relação a ganhar ou perder dinheiro, tem valor-notícia altíssimo.
4) Utilidade – serviços ao leitor. Divulgar eventos e novas descobertas que possam facilitar a vida das pessoas, informar sobre cuidados com determinadas doenças ou com certas situações, etc., tudo o que possa, como o nome já diz, ser útil ao leitor.
5) Oportunidade – notícias que não teriam interesse em situações comuns, mas que em determinados casos ganham destaque. Em geral filas em ruas movimentadas não são notícia; mas quando é época de eleição esse fato pode virar notícia sob o título de ‘Trânsito na Capital está cada vez mais caótico’, num jornal sensacionalista de oposição, por exemplo.
6) Celebridade e Culto de Heróis – Notícias que não teriam nenhum interesse para o público, não fosse o fato de que aconteceram com uma personalidade pública. Numa cidade como São Paulo, por exemplo, nenhum jornal há de noticiar nem um milésimo dos acidentes de carro (a não ser que seja brutal, que envolva muitos mortos, que desvie muito o trânsito, etc.); porém, se quem bate o carro é um jogador de futebol famoso, que quebra a perna de um menino inocente e foge sem prestar socorro, então esse acidente vira notícia.
7) Sexo e idade – assuntos que não trazem informações factuais, mas que recebem atenção dos leitores. Matérias que dialogam com determinadas faixas etárias também atraem o público. Uma tendência comportamental dos adolescentes ou um método oriental que ajudar a desestressar são exemplos de notícias que adquirem valor quando focalizados os seus públicos alvo: os adolescentes (e mesmo os pais deles), no primeiro caso, e os adultos economicamente ativos que trabalham demais e se interessariam por formas de relaxar um pouco.
8) Rivalidade – é o que faz com que o torcedor de futebol leia a coluna de esportes (saber quem ganhou, de quem, por quanto, quando e aonde é algo quase necessário na vida de um número considerável de pessoas), e muitas vezes é também o que faz uma notícia de política aparentemente sem importância receber muita atenção da imprensa – a rixa entre dois políticos de um mesmo partido por uma vaga de importância questionável dentro da estrutura da sigla também seria um exemplo disso.
3. Descreva o texto noticioso contemporâneo no que se refere a:
a. Síntese,
b. Concretude,
c. Repertório verbal.
O texto noticioso procura ser sintético, apresentando as principais informações no primeiro parágrafo (lide: quem, o que, onde, quando, por quê), e explicando como os fatos de desenrolaram até chegar naquele estado (como). Essa explicação busca contextualizar a notícia e ambientalizar o leitor, no caso de ele não estar acompanhando os últimos acontecimentos sobre o tema. A notícia também fala das conseqüências do fato que está informando. O texto noticioso não especula. Ele apresenta informações concretas e comprováveis – um acidente de carro, a vitória de um time de futebol, uma medida provisória assinada, etc –, baseadas nas declarações das fontes (citações) e no documentos encontrados. O texto noticioso pode, no máximo, expor as previsões de um especialista ou de um grupo de pessoas que se destaquem na área tratada – um teólogo fala sobre o que pode vir com a escolha do novo papa, um economista prevê o que pode acontecer com a nova queda do dólar, um meteorologista que expõe a possível chuva do fim de semana ou a chegada esperada de uma frente fria na quarta-feira.
Quanto ao repertório verbal, o texto noticioso procura ser claro e objetivo, feito para que o leitor o entenda. As frases são curtas, sem uma série de orações coordenadas e/ou subordinadas, e não usam vocabulário rebuscado. Zanchetta cita o exemplo: em vez de ébrio, deve-se usar bêbado. As palavras não podem dar margem a segundas ou terceiras interpretações e nem devem ser tão fora do comum que façam o leitor consultar um dicionário a cada parágrafo. Isso tudo, porém, difere de utilizar vocabulário pobre ou subjugar a inteligência do leitor: uma coisa é ser simples, outra é ser simplista. Ainda sobre o vocabulário, é desaconselhável usar jargões e expressões técnicas de áreas específicas; em editorias como Economia e Política, o texto jornalístico apresenta alguns termos não usuais, mas que podem, ainda que com alguma dificuldade, ser entendidos por um leitor leigo no assunto.
4. Qual a organização da pirâmide invertida, estrutura convencional da notícia no jornalismo contemporâneo?
A pirâmide invertida apresenta os fatos mais importantes logo no primeiro parágrafo (lide) da notícia, e os menos importantes (ou às vezes menos objetivos) nos parágrafos seguintes. Desse modo, o texto noticioso começa denso de informações novas e vai apresentando menos novidades com o passar do texto, daí o nome “pirâmide invertida”.
QUEM, O QUÊ, QUANDO, ONDE e POR QUÊ são os dados que devem constar no lead. Não necessariamente nessa ordem, eles dão uma idéia geral e razoavelmente completa de que fato está sendo noticiado. “O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajou ontem para Roma, onde vai acompanhar a eleição do novo papa.” Os parágrafos seguintes abordam o COMO da notícia.
5. Que peso têm as operações técnicas sobre os efeitos de objetividade e neutralidade do texto jornalístico?
As operações técnicas influenciaram muito a objetividade e a neutralidade do texto jornalístico. Com o surgimento dos telégrafos, por exemplo, foi possível transmitir informações para regiões distantes de forma muito mais eficaz e veloz do que antes. Porém, as mensagens que chegavam via telégrafo em geral tinham suas transmissões interrompidas pro falhas técnicas, e então era preciso redigir a notícia com as informações que haviam chegado. Por isso, adotou-se que em vez descrever cronologicamente os fatos, eles deveriam ser organizados em ordem de importância, e assim se a transmissão fosse interrompida, os dados principais já teriam chegado. Também o tipo de diagramação e impressão dos jornais era beneficiado com essa estrutura de notícias: às vezes o texto ficava maior que o espaço a que ele se destinava, então o editor [literalmente] cortava o último parágrafo da notícia, sem ‘nenhum’ prejuízo na transmissão da informação – na época, as placas usadas para imprimir tinham cada texto produzido individualmente, linha por linha, sendo impossível re-escrever uma notícia para cortar duas linhas, ou mesmo um parágrafo.
O avanço das técnicas de impressão – as prensas rotativas, por exemplo – também representou muito para as mudanças nos textos jornalísticos. Com o custo mais baixo do papel e da impressão, a concorrência aumentava, o preço ao consumidor diminuía (o número de leitores aumentava), e as mídias tinham que conquistar a confiança e a fidelidade do leitor; para isso, era preciso passar uma imagem de neutralidade e compromisso com a verdade, sem registrar impressões pessoais do repórter ou posições político-econômicas da direção do jornal. O aumento das redes rodoviária e ferroviária, que facilitaram, baratearam e agilizaram a distribuição dos jornais, também é um fator que influencia o texto noticioso, pelo fato de ele q chegar mais longe, ou seja, se destinar a um público maior e mais diverso, e dessa forma necessitar cada vez mais de uma linguagem neutra e objetiva.
Em resumo, as tecnologias facilitaram a produção e a distribuição dos jornais, e o aumento de público (que em parte esteve muito ligado a essas facilidades tecnológicas) também influenciou fortemente na estrutura do texto jornalístico.
entregue em Apr.26th.2005


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