Wednesday, October 13, 2004

Notas sobre o livro Rádio: 24 horas de jornalismo de Marcelo Parada

Capítulo 1 – O que é notícia?
São características da notícia: proximidade; relevância; imediatismo; fatos que despertam interesse (o que o ouvinte precisa saber e o que ele quer saber); drama; entretenimento; serviços úteis (hora certa, emergências, denúncias, atos do governo, saúde, reclamações dos ouvintes, previsão do tempo, esporte, condições do trânsito e das estradas).
Pontos a se observar na possível notícia: importância; tragicidade; raridade; ‘o último’ ou ‘o mais recente’; ‘o maior’ ou ‘o primeiro’; ‘o mais caro’; algo que acabou de acontecer/ vai acontecer.

Capítulo 2 – A reportagem no rádio
O som é a matéria prima, e deve “ilustrar sonoramente” o que se diz – barulhos de sirene, vozes emocionadas/alteradas, fôlego ofegante de um repórter que corre, etc.
“O trabalho do jornalista de rádio não deve ser reproduzir um registro sonoro na forma da voz de uma pessoa” (p.35), ou seja, o repórter não deve se limitar a colocar as entrevistas no ar, ele deve buscar outras informações e registros sonoros “ilustrativos”.
A reportagem deve trazer um relato preciso do fato, declarações dos envolvidos e suas possíveis razões, informações em off e ruídos do ambiente. Ela pode ser em vários formatos; por exemplo, cobertura ao vivo e depois uma edição, para os ouvintes que não estavam sintonizados quando da primeira transmissão da notícia; notícias importantes – como morte de personalidades, situações complicadas do trânsito, etc. – devem ter chamadas freqüentes, com o tempo entre uma e outra variando de acordo com a importância da notícia.
É aconselhável que o repórter tenha sempre um gravador a mão – com pilhas e fitas extras –, e que anote, depois da entrevista, os trechos que mais chamam a atenção, bem como a pronúncia correta do nome do entrevistado; é melhor se essas anotações forem feitas em blocos de papel, e não em folhas soltas; é importante também redigir o que se vai dizer, antes de ir ao ar.

Capítulo 3 - Texto e edições
Em geral o texto para rádio é “manchetado”, ou seja, frases curtas, normalmente com dois locutores, em ordem direta e sempre com verbo, de modo a manter a atenção do ouvinte. Lembrar sempre que quando o leitor lê o jornal ele pode reler um parágrafo que não entendeu, e que quando assiste à televisão as imagens auxiliam-no a entender a mensagem, enquanto comumente se ouve o rádio enquanto se faz outra coisa. O texto deve ser claro e direto.
Dependendo de como a edição de uma matéria é feita, esta pode enfocar vários pontos diferentes, enfatizar determinada informação ou fonte, etc.

Capítulo 4 – Treinamento valioso
Trabalhar na área de edição dá ao repórter uma visão geral de todo o processo de informação, desde a busca das fontes, a redação da matéria, a gravação e etc.
“A diferença é visível: uma reportagem feita por alguém que passou pela edição apresenta texto mais claro e enxuto, sonoras mais contundentes e curtas e conta com maior quantidade de recursos”. (p.64) Além dessas, o texto de rádio possui outros elementos: deve ser escrito do jeito que se fala, sem ser coloquial ao extremo, nem usar gírias/jargões; deve ser escrito em ordem direta e sempre com verbo – o uso gerúndio é vetado, e o do infinitivo imprime força ao que se diz; dar preferência a formas positivas, evitando o uso de “não”; não classificar as notícias (engraçada, triste, ... ), nem começar o texto com citação em aspas, pronomes pessoais ou expressões como ontem ou e; utilizar números redondos. Aconselha-se também que, na hora de redigir o texto para o locutor, o repórter destaque o que deve ser enfatizado na leitura.

Capítulo 5 – Padronizar e organizar
Alguns aspectos devem ser padronizados dentro da emissora; entre eles, destacam-se a forma como se vai pronunciar determinados nomes, o tamanho e a fonte dos textos entregues aos locutores, o tempo e a forma dos boletins. Aconselha-se ainda uma reunião semanal, pra definição de metas e linhas de ação; a redação de um manual do veículo também é interessante.

Capítulo 6 – A pauta
Devem ser acompanhados os fatos diários – escolhidos de acordo com os interesses e necessidades do ouvinte –, sabendo-se quando concentrar os esforços em um determinado evento. A participação do ouvinte como fornecedor de pautas também é importante, bem como a do repórter, que não só pode como deve levantar pautas. Deve-se, ainda, acompanhar os assuntos levantados pela rádio em reportagens anteriores e estar atento a possíveis “furos jornalísticos”.

Capítulo 7 – Como funciona uma rádio
“Às 8h, com o diretor de Jornalismo e o editor chefe são definidos os principais temas do dia. [...] Outro grupo cuida dos programas temáticos, que, em geral, ocupam a grade de programação entre 10h e 17h. [...] Depois, por volta das 20h é feita um balanço e uma avaliação dos temas do dia”.(p. 93-95)
““O horário entre 5h e 10h determina os maiores índices de audiência no segmento do radiojornalismo.” (p.93) “É considerado o horário nobre.” (p.97)

Capítulo 8 – A madrugada
É o momento em que se apuram as informações do fim de noite e da madrugada, e que devem ser preparadas para os noticiários da manhã, o “horário nobre” do rádio.

Capítulo 9 – Trânsito e estradas: os dez mandamentos
São muito importantes, e deve-se lembrar que muitos dos ouvintes dos radiojornais estão no carro, no trânsito, e se interessam por saber se acontece algo no caminho até seus destinos. Como não é possível informar sobre todas as ruas – principalmente nos grandes centros urbanos –, informe sobre as vias que ligam as principais regiões, localizando o trecho citado (“à altura X”), e utilizando as denominações do ouvinte em vez dos nome oficiais – por exemplo, Marginal Pinheiros e não Avenida das Nações (p.105). Além disso, é importante que os boletins sejam freqüentes, e que informem apenas os problemas, mas sugiram soluções; converter o engarrafamento de quilômetros para minutos e a velocidade de km/h para tempo extra que leva para se fazer o percurso facilitam a reação do ouvinte.

Capítulo 10 – Agenda e telefone
Ter uma agenda com nomes de possíveis fontes é sempre útil. Atualmente, uma lista de e-mails também torna as coisas mais práticas. Além disso, é importante sempre perguntar o nome e o cargo do entrevistado, assim como conversar com ele um pouco, antes de gravar a entrevista, e alertá-lo para que não use termos muito técnicos.

Capítulo 11 – O ouvinte-repórter
A participação do ouvinte é muito importante. Além disso, lembre-se de que há milhares de ouvintes e que eles podem estar em muito mais lugares do que os repórteres da rádio, passando informações e impressões – como em casos de engarrafamentos, acidentes e etc.

Capítulo 12 – Campanhas que mobilizam a comunidade
A rádio pode levantar campanhas e estimular a comunidade a agir no sentido de resolver os problemas da sua região, bem como atentar para determinados fatos que preocupem ou que mereçam louvor. A rádio pode também, além de incitar as campanhas, acompanhá-las.

Capítulo 13 – O rádio nos Estados Unidos
O modelo de rádio seguido pelos estadunidenses difere muito do utilizado no Brasil. “O esquema [daqueles] consiste em noticiários seguidos de 20 minutos, numa seqüência interminável. A qualquer hora do dia ou da noite, feriado ou final de semana, o ouvinte sabe que a cada 20 minutos começa um noticiário. [...] O curioso desse formato, no qual os comerciais são dispersos (e não seqüenciais, como no Brasil), é a sensação de que há mais tempo dedicado á notícia”. (p.124)

Capítulo 14 – Como conseguir o primeiro emprego em rádio
Características (obvias) do candidato a repórter de rádio e alguns esclarecimentos a mais sobre o que ele vai encontrar em seu futuro emprego.

Ref. Bibliográficas
PARADA, Marcelo. Rádio: 24 horas de jornalismo. São Paulo: Editora Panda, 2000.

entregue em Sep.20th.2004

0 Comments:

Post a Comment

<< Home