Wednesday, October 13, 2004

Resumo do livro Sociologia da Sociedade Brasileira de Álvaro de Vita

O livro Sociologia da Sociedade Brasileira, de Álvaro de Vita, traz uma abordagem histórica da sociedade brasileira, analisando sua íntima relação com a economia e a política. Procurando explicar como se deram as lutas entre as classes, as disputas pelo poder, as reivindicações e conquistas do povo, o livro traça um perfil da sociedade brasileira desde seu princípio.
“A economia e a sociedade brasileiras surgiram como um capítulo da lenta transição que ocorreu na Europa Ocidental, entre aproximadamente finais do século XV e finais do século XVIII, do regime feudal ao regime capitalista” . Do ponto de vista econômico, inicialmente a produção utilizava mão de obra escrava, nas lavouras de cana-de-açúcar, partindo em seguida para o emprego de mão de obra assalariada, constituída basicamente de imigrantes italianos, que trabalhavam nos cafezais paulistas. Politicamente, o país começou o século XVI como colônia portuguesa – sem governo autônomo ou centralizado –, tornando-se, com a vinda da Família Real para o Brasil, em 1808, Reino Unido de Portugal e Algarves; com a independência em 1822, o regime monárquico foi adotado, sendo substituído, em 1888, pelo modelo republicano.
Desse modo, em 1930, tinha-se: [a] uma massa de trabalhadores rurais que começava a migrar para cidade em busca das melhores condições de vida prometidas pela industrialização em curso; [b] o poder, até então concentrado nas mãos das oligarquias paulista e mineira (“república café com leite”), que passava – a partir da Revolução de 1930 – a contar agora com a participação da oligarquia gaúcha, de setores do exército e da recente burguesia industrial; [c] a economia, que aos poucos mudava seu eixo dos latifúndios monocultores para as cidades em explosão de crescimento. Nesse contexto, as classes operárias começavam a ter espaço para fazer suas reivindicações: jornada de trabalho de 8hs diárias, folga semanal, etc.
O pós-45, com o fim do Estado Novo (instituído por Getúlio Vargas em 1937), foi caracterizado pelo populismo, política em que a participação popular existia mas era manipulada pelos grandes grupos detentores do poder, ou seja, as massas participavam da política – democracia, voto direto –, mas ligadas aos partidos das classes dominantes. É nesse período também que surge o nacionalismo, ideologia que sustentava o desenvolvimento capitalista ‘nacional’ (sem participação do capital estrangeiro) e segundo a qual o Estado representaria os “interesses gerais” da sociedade – a única conquista notável do nacionalismo foi a campanha pela nacionalização do petróleo, que culminou com a criação da Petrobrás, em 1953.
Como a presença política popular começasse a ameaçar os interesses das classes dominadoras, o Golpe Militar é dado em 1964: se a manipulação populista não cumpria mais a função de controlar as massas, a repressão assumiria agora esse papel . O período compreendido como a Ditadura Militar (1964-1985) foi bastante conturbado, do ponto de vista social, e muito complexo por uma série de fatores. Em termos de ideologia, a “doutrina da segurança nacional” constituía uma forma de as forças armadas “ajudarem” na organização da sociedade, eliminando a chamada “ameaça comunista” – tanto externa, vinda da URSS, quanto interna, “infiltrada” nos movimentos trabalhistas; “no plano econômico [...] os militares se limitaram a eliminar as últimas barreiras para dar continuidade ao modelo econômico implantado no governo de Juscelino Kubitschek” ; por outro lado, se a economia crescia (“milagre econômico” da década de 70), o salário mínimo e a qualidade de vida não acompanhavam esse desenvolvimento. “A sociologia brasileira dos anos 70 denunciou seguidamente que o crescimento econômico brasileiro se fez à custa de um agravamento das imensas desigualdades sociais” .
Mas se o “milagre econômico”, num primeiro momento, satisfez as massas, anos de repressão, desrespeito aos direitos individuais e exclusão social acabaram catalisando as forças contra o regime; entre os movimentos mais notáveis do período da Ditadura, estão as grandes greves dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo (em 1978-9), os comícios que reuniam milhões de pessoas nos estádios e nas ruas, a campanha pelas “Diretas Já!” e – como conseqüência de toda essa movimentação – a instalação do processo de “redemocratização” do país, que culminaria com as eleições diretas de Fernando Collor de Mello, em 1990.
De forma didática – sem ser simplista – o livro Sociologia da Sociedade Brasileira dá um panorama da história da sociedade brasileira, aprofundando-se em questões de cunho ideológico, político e econômico, e buscando levar o leitor a um entendimento da complexa estrutura social do país. O livro traz ainda textos complementares sobre os temas abordados em cada capítulo e indica uma bibliografia bastante diversificada.

Ref. Bibliográficas
VITA, Álvaro de. Sociologia da Sociedade Brasileira. São Paulo: Editora Ática, 1989.

entregue em Oct.1st.2004

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