Beira-mar Continental: mãos à obra
Beira-mar Continental – ou Via Marginal Principal Coletora 1 (PC-1) – é a alternativa escolhida pela Prefeitura de Florianópolis para desafogar o trânsito no Estreito e revitalizar o bairro.
A Beira-mar Continental começou a ser construída em setembro e tem previsão para terminar em três anos. A execução ficou a cargo do consórcio Carioca-Sulcatarinense, e a obra tem o objetivo de melhorar o trânsito no Estreito e região. Como intenção secundária, o projeto pretende dar nova vida ao bairro e ao comércio da localidade.
A necessidade de implantação da Beira-mar Continental surge da saturação do chamado corredor norte, no Estreito, que se constitui de duas vias principais: as ruas Fúlvio Aducci - Pedro Demoro fazem o sentido centro-bairro, enquanto as ruas Liberato Bittencourt - Gaspar Dutra fluem no sentido bairro-centro. Quem vai em direção ao continente ou rumo à ilha, tem ainda outra opção para acessar as pontes, que é a Via Expressa (BR 282), ao sul.
A Via Marginal Principal Coletora 1 (PC-1) foi concebida para diminuir o volume de tráfego na região do Estreito. Com a implantação da via, as ruas Fúlvio Aducci - Pedro Demoro e Liberato Bittencourt - Gaspar Dutra passam ambas a seguir no sentido bairro-centro, enquanto a PC-1 recebe o fluxo que vem da ponte em direção ao bairro. Essa mudança deve reduzir de forma considerável os congestionamentos na região, o que além de melhorar o trânsito, facilita o transporte coletivo e permite um melhor deslocamento de carros do Corpo de Bombeiros e ambulâncias – o que é muito importante, considerando-se o Hospital Regional do município, situado no Estreito. A diminuição no volume de tráfego nas vias internas também diminui o desgaste do pavimento e, com isso, reduz os custos com sua manutenção.
A implantação da Beira-mar altera também a dinâmica sócio-econômica do bairro. “A PC-1 vai trazer nova oxigenação para o bairro, porque ele vai conseguir crescer e se desenvolver”, declarou o presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) de Florianópolis, Afonso dos Santos. Ele acredita também que a Marginal vai conferir aspecto de modernidade ao bairro, e que vai valorizar a área. “Muito pouco do que há no Estreito hoje vai permanecer como está”, afirma.
Atualmente o bairro está “virado de costas pro mar” e com a implantação da Marginal deve voltar-se para o oceano. A exemplo do aconteceu na Beira-mar Norte (na ilha), espera-se uma super valorização dos terrenos que margeiam a nova via, onde devem ser construídos edifícios com cerca de 12 pavimentos; cada unidade nos novos prédios deve custar em média 200 a 300 mil reais, o que corresponde a um perfil de morador com maior poder aquisitivo, fato inspirador de boas perspectivas para os comerciantes da localidade.
Espera-se também um reaquecimento na economia da região, não apenas no setor imobiliário, mas nas áreas de comércio e serviços em geral. “O estreito é um pólo de vendas e compras”, afirma o presidente da Associação Amigos do Estreito, Édio Fernandes, “mas que está defasado em termos de investimentos”. Nesse sentido, a expectativa dos comerciantes e da CDL é de que a Marginal chame a atenção dos investidores: “Ela vai atrair o empresariado”, afirma Afonso dos Santos.
A implantação da PC-1 transforma, ainda, dois outros itens na configuração do Estreito: segurança e lazer. No primeiro caso, a principal mudança é com relação à Vila da Miséria, comunidade carente situada na Ponta do Leal e considerada pela população um dos principais motivos da insegurança no bairro. A vila está no traçado da Beira-mar e terá de ser relocada para a construção da via; a previsão é de que seja feito, junto a essa comunidade, um trabalho semelhante ao implantado na Favela Chico Mendes, com a construção de casas populares dotadas de rede de esgoto, água e energia elétrica.
A questão do lazer é outra que será afetada pela PC-1. A pesquisa realizada para o estudo de impactos da via revelou que 22,51% dos entrevistados apontam a falta de lazer no bairro como o maior problema da região. Nesse sentido, o projeto da Marginal prevê, além da ciclovia e do passeio, a implantação de áreas verdes, quadras de esporte, pistas de skate e até um mirante na Ponta do Leal.
Discutido com a comunidade, o projeto foi apoiado por moradores e comerciantes; a Associação Amigos do Estreito se comprometeu com a fiscalização da obra e com a manutenção dos encontros para debater sobre o tema. “Ainda há alguns esclarecimentos que precisam ser feitos. Quando o aterro estiver se compactando, por exemplo, a obra vai parecer que está parada, e é preciso explicar isso à população”, esclarece Édio Fernandes. A expectativa agora é de que a nova gestão municipal dê continuidade à execução da obra.
O QUE DIZ O PROJETO
A Marginal PC-1, Prevista no Plano Diretor do Distrito Sede, terá 3,7 km de extensão – da cabeceira da Ponte Hercílio Luz à Ponta do Leal –, largura de pista de 11,4 m, 3.500 vagas de estacionamento, ciclovia de 1,8 km de extensão, passeio e áreas verdes, além de mirante na Ponta do Leal.
Para executar a obra, orçada em R$ 42,8 milhões, será preciso construir um aterro de 126 m², que utilizará areia drenada da Ponta do Coral (Beira-mar Norte). O consórcio Carioca-Sulcatarinense, vencedor da licitação, começou as obras em setembro, e o prazo de entrega da rodovia é de três anos.
Para dar início à execução do projeto, a Prefeitura contraiu um empréstimo de US$ 22,4 milhões junto ao FONPLATA (Fundo Financeiro para Desenvolvimento da Bacia do Prata), sendo US$ 13 milhões destinados à construção da PC-1 e o restante a outras cinco obras da Prefeitura. O empréstimo, que corresponde a 30% da capacidade de endividamento do município, será pago em 20 anos, com carência de 5 anos e meio.
PROJETO DISCUTIDO COM MORADORES DO BAIRRO
A Associação Amigos do Estreito, em reuniões mensais organizadas na Biblioteca Pública Municipal Barreiros Filho, discutiu com a comunidade e com os comerciantes do Estreito e região a implantação da Beira-mar Continental. Os encontros se ocuparam do esclarecimento da comunidade sobre os detalhes do projeto, e avaliaram as vantagens e desvantagens da implantação da nova via. “A comunidade aprova”, declarou o Presidente da Associação, Édio Fernandes, lembrando que as reuniões continuam a acontecer e que a execução do projeto será acompanhada de perto pela Associação e pela comunidade.
A Associação, criada há pouco mais de 4 meses, estava há quase 30 anos desativada, e aos poucos vai reconquistando seu espaço na vida da comunidade. Apesar de nova, a entidade já tem projetos para um centro comunitário e pretende ajudar na criação da associação dos pescadores da região.
entregue em Nov.3rd.2004


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