Friday, May 06, 2005

Resumo do Livro A Fotografia é a sua linguagem, de Ivan Lima

O livro A Fotografia é a sua linguagem faz uma abordagem bastante técnica dos principais elementos que compõem uma fotografia, bem como dos mecanismos que podem influenciar a leitura da imagem; alguns tipos de fotografia também são superficialmente explicados apenas a título de contextualização.
Já na Introdução o autor, Ivan Lima, insere um dado importante, afirmando que as fotografias “todos podem interpretar segundo o seu saber pessoal” (p.13). Essa informação é realmente introdutória, pois levanta questões sobre como a foto será interpretada, ou seja, como a composição (tema do livro) influenciará na passagem – ou no caso, captura – da informação.
O capítulo 1, A escrita icônica e a sua leitura, começa traçando um paralelo entre duas visões possíveis da fotografia a partir da origem desse nome. “Existem duas origens do nome fotografia. A primeira vem da Grécia, é usada nos países ocidentais, e surgiu na França (foto = luz, grafia = escrita). Através desse nome a fotografia é a arte de escrever com a luz, o que a define como uma escrita. A segunda forma é de origem oriental. No Japão fotografia se diz sha-shin, que quer dizer reflexo da realidade. Por essa origem, fotografia é uma forma de expressão visual” (p.17). Esse capítulo introduz, ainda, os componentes de uma foto, subdividindo-os em vivos (humanos e animais), móveis (certos fenômenos e elementos naturais) e fixos (objetos de toda forma), sendo esta a ordem decrescente de importância na hierarquia dos componentes. Lima menciona, ainda, que a foto é a combinação de duas estruturas, a geométrica e a perceptual. A primeira é estática, simétrica e proporcional, enquanto a segunda é dinâmica, anatômica e particularizada, orgânica e assimétrica, sendo que o lado esquerdo é o início e o direito é a conclusão. A leitura da foto também seria dividida em três etapas: a percepção, puramente ótica e muito rápida (durando cerca de meio segundo ou até menos); a identificação, que pode ser mental ou ótica e que consiste na identificação dos componentes da imagem e no registro (mental) seu conteúdo; e a interpretação, que é puramente mental e que vai variar de leitor pra leitor. Por último, o capítulo menciona que na fotografia de imprensa, há três elementos principais, sujeito, circunstância e ambiente: “estabelecendo-se a relação sujeito-circunstância-ambiente o fotógrafo e o editor exprimem além da situação e do assunto em si, a relação espaço-tempo, espaço do sentido de local-cidade-país e tempo no sentido da época-situação social, política e cultural” (p.26).
O segundo capítulo, intitulado Fotografia e Escrita, começa tratando da legenda, que deve constituir-se, minimamente, do esclarecimento do espaço-tempo da foto. O autor apresenta três formas de apresentação da legenda: a oral, quando alguém se utiliza da fala para explicar o contexto da foto; a escrita, largamente utilizada no jornais e revistas; e a implícita, quando a imagem é auto-explicativa. Lima afirma também que “o fotógrafo é a pessoa certa para fazer a legenda da sua imagem” (p.33), sendo aquela, no caso específico da fotografia de imprensa, a que faz a relação entre a imagem e o texto. Por último, o autor constata que a imagem por si só chama a atenção, e que devido a isso alguns jornais de grande circulação estampam em suas capas figuras que não estão associadas às manchetes – dessa forma, conseguem chamar a atenção do leitor para dois temas diferentes ao mesmo tempo.
O capítulo Fotografia é composição é o começo da abordagem mais técnica do livro, e descreve vários elementos que compõem a imagem, fazendo breves explanações de como moldá-los de forma a transmitir, de maneira mais eficiente, a informação. Entre os vários aspectos técnicos abordados no capítulo, destacam-se: a seção áurea e a regra dos terços, utilizadas para manter a proporcionalidade em uma fotografia na qual o elemento principal foi deslocado do centro; o contraste entre superfícies claras e escuras, que acentua a dramaticidade; as formas geométricas, entre as quais o quadrado representa o equilíbrio absoluto, o retângulo horizontal o repouso e o retângulo vertical a ação e a proximidade; o ponto, “catalisador por onde o olho chega à imagem, e a partir do qual o restante é visualizado” (p.55); a linha, sendo que a horizontal dá a sensação de repouso, a vertical exprime altura e movimento, a diagonal é como um equilíbrio de forças e as oblíquas são elementos de desordem; lentes teleobjetivas, que fazem um recorte do assunto escolhido e “atenuam o contraste entre os planos” (p.81); e, por fim, lentes grande-angulares, que destacam o primeiro plano e “acentuam o contraste de distância entre os elementos do primeiro plano e os planos de fundo” (p.83). O capítulo traz informações também sobre a luz, informando que “para a fotografia preto e branco, a nitidez e a textura dos objetos fotografados dependem da quantidade de luz que incide sobre esses objetos” (p.85, grifo meu).
No quarto capítulo, Conteúdo, Ivan Lima trata brevemente sobre os tipos de fotografia, mencionando o retrato, a fotografia de atualidade e a fotografia de arte. Utilizando-se das palavras de Richard Avedon – que o autor considera como o grande nome da fotografia de retratos – Ivan Lima coloca que “um retrato em Fotografia é a imagem de uma pessoa que sabe que vai ser fotografada” (p.93), e menciona o grande destaque que os olhos têm nesse tipo de foto (uma vez que estão fixos). A fotografia de atualidade é definida como a que tem o homem como elemento fundamental, e se subdivide em fotografia histórica (“registra um fato, um acontecimento ou um personagem consagrado historicamente” (p.94)), fotografia social (dia-a-dia), fotografia de futebol e fotografia internacional (que pode ser de agências de notícias ou de agências de fotógrafos, o que fará diferença na qualidade da imagem). A fotografia de arte não é definida, justamente devido à dificuldade de se estabelecer um ponto divisor entre a fotografia de registro factual e a fotografia de arte; o autor menciona apenas que “a fotografia de arte conquista aos poucos alguns artistas, conseguindo conquistar também o seu espaço, tão importante na expressão da cultura do nosso país e do continente latino-americano” (p.99).
O capítulo As comunicações não-verbais fala sobre esta outra linguagem que está, por assim dizer, implícita na fotografia: “o termo comunicações não-verbas é aplicado a gestos, a posturas, à orientação do corpo, à singularidade somática, naturais ou artificiais, e até a organização de objetos, a relações de distância entre indivíduos, graças aos quais uma informação é emitida” (p.104). Entre as informações passadas (inconscientemente) através das comunicações não-verbais, Lima cita aquelas sobre o estado afetivo e pulsional do emissor, aquelas sobre sua identidade e aquelas sobre o meio exterior. Segundo o autor, seriam três os suportes utilizados na emissão dessas informações: o corpo (rosto, expressões, mãos, braços, gestos, postura), os artefatos (que servem para situar visualmente e “determinar a época, a origem étnica e a herança cultural dos indivíduos fotografados” (p.114)) e o espaço, subdividido em uma série de categorias, podendo servir em fotografia como elemento principal (paisagem), mero ambiente (retrato) ou contexto (fotos espontâneas).
O autor não conclui o livro, colocando, apenas como informação final, que a fotografia espontânea é a mais produzida atualmente, “tanto pela imprensa como pelas ciências sociais e humanas” (p.118).

Ref. Bibliográfica
LIMA, Ivan. A Fotografia é a sua linguagem. Rio de Janeiro: Editora Espaço e Tempo, 1988.

entregue em Nov.18th.2004

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