Sunday, August 29, 2004

Breve biografia de Carl Mydans

Nascido a 20 de maio de 1907, na cidade de Boston, o fotógrafo estadunidense Carl Mydans cresceu nas redondezas de Medford, e quando criança pensava em ser construtor de navios ou cirurgião. Estudou em escola pública, formando-se pela Universidade de Boston, em 1930, em jornalismo, área na qual começou a trabalhar e que o fez mudar-se para Nova York.
Seu contato com fotografia começou de forma amadora, quando adquiriu uma câmera de segunda mão – uma 35mm Contax, concorrente da Laica e incomum no fotojornalismo –, levando-a consigo nas matérias; não demorou muito para que seu talento aflorasse e fosse reconhecido. Em 1936, Mydans foi contratado pela revista Life, sendo então o quinto fotógrafo que a publicação empregava – publicação esta que surgia para abranger a um nicho de mercado ainda pouco explorado, e com uma dinâmica gráfica muito diferente da dos jornais. Pela Life, o fotógrafo viajou o mundo todo, e entrou em contato com os mais variados tipos de pessoa, fascinando-se com o comportamento humano: “Quando eu comecei a usar a câmera, me tornei um obsessivo ‘observador de pessoas’, analisando seus modos e posturas, desenhos da boca, falsidade dos sorrisos, olhares diretos e desviados. Quando aprendi a entender esses sinais e a interpretá-los, descobri uma série de histórias tão variadas e tão cativantes quanto a própria raça humana”.
Mydans casou-se em 1938, e sua esposa – também jornalista – acompanhou-o à Europa, ambos a serviço da Life, quando a Segunda Guerra Mundial explodiu. Em 1941, o casal foi preso pelos japoneses, sendo libertados quase dois anos depois, numa troca de prisioneiros entre Japão e Estados Unidos. Quatro anos mais tarde, o fotógrafo voltou àquele país, onde foi diretor do escritório da Life, em Tókio; foi também no Japão que ele – saindo ileso – presenciou e registrou um terremoto de grandes proporções, em Fukui, no qual quase quatro mil pessoas morreram.
Entre fotos de guerras e conflitos, de personalidades ou pessoas comuns, e todas as outras de autoria de Mydans, as que mais se destacam são as do General Douglas MacArthur, durante a Segunda Guerra; também merece destaque a forma como o fotógrafo registrou a reação dos cidadãos de seu país, no metro, lendo as manchetes sobre o assassinato do então presidente John F. Kennedy [foto acima].
Carl Mydans morreu no dia 16 de agosto de 2004, aos 97, vítima de um ataque cardíaco.

Ref. Bibliográficas - Aug.20th.04
http://www.gallerym.com/artist.cfm?ID=30
http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/articles/A9837-2004Aug17.html
http://www.guardian.co.uk/obituaries/story/0,3604,1286983,00.html
http://diariodonordeste.globo.com/2001/03/25/010024.htm

entregue em Aug.26th.04

Algumas linhas sobre Evandro Teixeira

Falar da vida pessoal de Evandro Teixeira é quase desnecessário: amigos e colegas de trabalho concordam que a vida do fotógrafo se mistura com sua história – e até mesmo com a história do país. Com mais de 40 anos de carreira, na adolescência ele nem pensava em ser fotógrafo, quanto mais em ir trabalhar no Rio de Janeiro e se tornar um profissional internacionalmente respeitado e admirado.
Nascido numa cidade do interior da Bahia, a princípio quis ser escultor ou militar; sua primeira experiência como profissional de fotografia foi na revista Cruzeiro, estagiando em seguida no Diário de Notícias. Em 1957, graças ao convite do compositor Mapin (Manoel Pinto), Evandro Teixeira mudou-se para o Rio de Janeiro, e em 1963 empregou-se no Jornal do Brasil, onde trabalha até os dias de hoje.
Cobrindo várias áreas, como política, comércio, eventos sociais, esportivos e inclusive do mundo da moda, o fotógrafo baiano se destacou na profissão. Suas fotos contam um pouco da história do Brasil, atravessando a ditadura militar e a censura característica da época, retratando figuras importantes nos cenários nacional e internacional, capturando a realidade do sertão e muito mais. “Para mim não há nada mais brasileiro do que a fotografia do Evandro”, diz o também fotógrafo Sebastião Salgado, que em outro momento de seu depoimento (encontrado no site oficial de Evandro Teixeira, www.evandroteixeira.net), afirma: “Vejo as fotografias do Evandro e vejo o Evandro nas fotos dele”.
Já o repórter Fritz Utzeri, além de afirmar que “se Evandro Teixeira vivesse em Nova Iorque ou Paris, seria um dos fotógrafos mais conhecidos do mundo”, equipara-o em inúmeros aspectos a ícones da fotografia no mundo, dizendo que tem “talento e sensibilidade de um Cartier-Bresson, de um Robert Capa, de um Sebastião Salgado. Evandro é um patrimônio vivo da fotografia”.
Tantas exaltações não são exagero: Evandro Teixeira já expôs seu trabalho em toda Europa e em países como Estados Unidos, Cuba, México e Buenos Aires; publicou dois livros; suas fotos estão no acervo de museus como MAM, MASP e Museu de Belas Artes de Zurich; foi vencedor de inúmeros concursos, dentre eles o da Nikon e o da Unesco. Além disso, ele foi o único fotógrafo a registrar a tomada do Forte de Copacabana em 1964, além de presenciar, em 1973, o golpe de Pinochet e a morte de Pablo Neruda, em seguida, no Chile.
Enumerar os momentos marcantes que o fotógrafo capturou seria exaustivo e desnecessário: tanto melhor é conhecer seu trabalho. Além das fotos publicadas no Jornal do Brasil, foi lançado no último dia 3 de agosto um documentário – intitulado Instantâneos de Realidade e dirigido por Paulo Fontenelle – sobre a obra de Evandro Teixeira, que participa durante todo o mês da exposição Magic Moments II, patrocinada pela Leica, ao lado de outros grandes nomes, como Cartier-Bresson e René Burri.

Ref. Bibliograficas - Aug.12th.04
http://www.evandroteixeira.net
http://www.cenaurbana.com.br/cultura/fotografia/evandro01.htm
http://www.correiodobrasil.com.br/poesia.asp?c=159

entregue em Aug.19th.04

Breve biografia de Henri Catier-Bresson

Nascido a 22 de agosto de 1908, na cidade de Chateloupe, próxima a Paris, o fotógrafo e pintor francês Henri Cartier-Bresson teve seu primeiro contato com fotografia ainda menino, quando usava sua Box Brownie para registrar momentos de finais de semana e férias. Nessa época aflorava também um grande interesse por pintura, o que o levou a estudar artes – com especial ênfase ao Surrealismo e Cubismo – durante dois anos, num estúdio da capital francesa.
Em 1931, passou um ano na África, vivendo como caçador. Tendo de retornar à França por motivos de saúde, é em Marseille que ele se volta novamente à fotografia: de posse de uma câmera Laica 35mm, Cartier-Bresson começa a fotografar nas ruas da cidade, tomado de excitação, “determinado a ‘capturar’ a vida, preservar a vida vivendo”, segundo ele mesmo relembrou anos mais tarde. Tímido, apesar de astuto, as Laica o deixavam mais à vontade, pois, além de pequenas, possuíam vários ajustes (velocidade, foco, etc.), e acabaram por tornar-se uma de suas marcas registradas – segundo ele mesmo definiu, a câmera funcionava como “uma extensão do olho”.
Explodindo alguns anos depois, a Segunda Guerra Mundial também fez parte da vida do fotógrafo, que serviu no Exército Francês e foi capturado por forças alemãs, de quem conseguiu escapar – após duas tentativas frustradas –, trabalhando às escondidas até o fim da guerra. Em 1947, retomada sua carreira de fotojornalista – profissão na qual foi um dos pioneiros –, funda, juntamente com outros profissionais da área, a Magnum, agência de fotografia. Viajando pela Europa, Estados Unidos, Índia, China e Rússia, Cartier-Bresson teve a oportunidade de presenciar (e registrar) momentos como a Libertação da França, guerra civil espanhola, ascensão de Mao Tsé-Tung, morte de Gandhi e – sendo o “único profissional do mundo ocidental a ter acesso, como convidado de honra”[1] – os funerais de Josef Stalin.
Como jornalista, parecia sentir a necessidade de contar os fatos e as histórias em uma única foto, respeitando a realidade e os homens, e ao mesmo tempo seus próprios ideais: utilizava sempre filmes preto e branco, não batia fotos artificiais ou com cenários preparados. Uma de suas grandes contribuições para a fotografia é o conceito de momento decisivo, definido como “a sintonia, numa fração de segundo, entre um significado e um evento, bem como a precisa organização das formas que dão ao acontecimento seu verdadeiro sentido. [...] Em fotografia, um pequeno detalhe pode ter um grande significado”.
Cartier-Bresson publicou vários livros e fez várias exposições – inclusive uma no Museu do Louvre –, mas nos últimos 25 anos abandonara a fotografia e dedicava-se a pintura. O fotógrafo francês morreu a 03 de agosto de 2004, aos 95 anos, na cidade de Céreste, França.
[1] Jornal da Globo; ver referência bibliográfica.

Ref. Bibliográficas- Aug/7th/04
http://www.estadao.com.br/magazine/materias/2003/jun/13/81.htm
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u46458.shtml
http://jbonline.terra.com.br/extra/2004/08/04/e0408747.html
http://jg.globo.com/JGlobo/0,19125,VTJ0-2742-20040804-58145,00.html
http://www.correiodobrasil.com.br/noticia.asp?c=63048
http://jornalnacional.globo.com/semana.jsp?id=35405
http://www.photo-seminars.com/Fame/bresson.htm

entregue em Aug.12.04