Wednesday, November 17, 2004

Senadinho: a tradição vai mesmo morrer?

Tombado como patrimônio imaterial há quase um mês, o Ponto Chic continua fechado. Também conhecido como Senadinho, o tradicional café de Florianópolis fechou em setembro, após mais de 50 anos de história. “O Senadinho já era; isso aqui é terra do que já teve”, lamenta Aldo Rabelo, aposentado e cliente do lugar. Os freqüentadores reclamam também que o bar já não era mais o mesmo, e que o último dono priorizara o chope ao invés do café, que ficava num “cantinho do balcão”.
Desde 1950 a esquina das ruas Trajano e Felipe Schmidt, onde fica o Ponto Chic, é um ponto de encontro das pessoas, que se reuniam para conversar e tomar café. “A gente saía da repartição – que tinha café – pra vir tomar café aqui”, relembra o aposentado Laerte Vieria, de 65 anos. “Agora é no Bob’s que as pessoas se encontram”, completa, reclamando que o local é tradicionalmente um ponto de café. Ele acredita também que, mesmo sendo um espaço privado, o dono do bar tem de dar um retorno à sociedade, pois do contrário o próprio povo acaba deixando de freqüentar. “Mudaram a maneira de ser, sofisticaram muito”, acrescenta.
Após o fechamento do café, o ponto foi alugado para uma empresa paulista, que pretendia abrir uma financeira no local, mas a SUSP (Secretaria de Urbanismo e Serviços Públicos) embargou a obra sob a alegação de que esta não havia sido autorizada pela Prefeitura. Além disso, uma lei municipal desabilita a instalação de empresas financeiras (entre outras) na região do Senadinho. Depois do embargo da obra, os “senadores” organizaram o movimento SOS Ponto Chic, que elaborou um abaixo assinado – com mais de 600 assinaturas, incluindo as da prefeita Angela Amin e do ex-governador Esperidião Amin – pedindo que se mantivesse a tradicional esquina como um ponto de café. Em resposta, a prefeita assinou um decreto tombando o Senadinho como patrimônio imaterial, o que no caso do Ponto Chic significa que podem ser instalados no local estabelecimentos cujo principal produto seja o café. Apesar disso, o local continua fechado e aparentemente sem perspectivas de reabertura. O proprietário do ponto, Nagib Nassad, não foi encontrado para falar sobre o assunto.

entregue em Nov.17th.2004

Beira-mar Continental: mãos à obra

Beira-mar Continental – ou Via Marginal Principal Coletora 1 (PC-1) – é a alternativa escolhida pela Prefeitura de Florianópolis para desafogar o trânsito no Estreito e revitalizar o bairro.

A Beira-mar Continental começou a ser construída em setembro e tem previsão para terminar em três anos. A execução ficou a cargo do consórcio Carioca-Sulcatarinense, e a obra tem o objetivo de melhorar o trânsito no Estreito e região. Como intenção secundária, o projeto pretende dar nova vida ao bairro e ao comércio da localidade.
A necessidade de implantação da Beira-mar Continental surge da saturação do chamado corredor norte, no Estreito, que se constitui de duas vias principais: as ruas Fúlvio Aducci - Pedro Demoro fazem o sentido centro-bairro, enquanto as ruas Liberato Bittencourt - Gaspar Dutra fluem no sentido bairro-centro. Quem vai em direção ao continente ou rumo à ilha, tem ainda outra opção para acessar as pontes, que é a Via Expressa (BR 282), ao sul.
A Via Marginal Principal Coletora 1 (PC-1) foi concebida para diminuir o volume de tráfego na região do Estreito. Com a implantação da via, as ruas Fúlvio Aducci - Pedro Demoro e Liberato Bittencourt - Gaspar Dutra passam ambas a seguir no sentido bairro-centro, enquanto a PC-1 recebe o fluxo que vem da ponte em direção ao bairro. Essa mudança deve reduzir de forma considerável os congestionamentos na região, o que além de melhorar o trânsito, facilita o transporte coletivo e permite um melhor deslocamento de carros do Corpo de Bombeiros e ambulâncias – o que é muito importante, considerando-se o Hospital Regional do município, situado no Estreito. A diminuição no volume de tráfego nas vias internas também diminui o desgaste do pavimento e, com isso, reduz os custos com sua manutenção.
A implantação da Beira-mar altera também a dinâmica sócio-econômica do bairro. “A PC-1 vai trazer nova oxigenação para o bairro, porque ele vai conseguir crescer e se desenvolver”, declarou o presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) de Florianópolis, Afonso dos Santos. Ele acredita também que a Marginal vai conferir aspecto de modernidade ao bairro, e que vai valorizar a área. “Muito pouco do que há no Estreito hoje vai permanecer como está”, afirma.
Atualmente o bairro está “virado de costas pro mar” e com a implantação da Marginal deve voltar-se para o oceano. A exemplo do aconteceu na Beira-mar Norte (na ilha), espera-se uma super valorização dos terrenos que margeiam a nova via, onde devem ser construídos edifícios com cerca de 12 pavimentos; cada unidade nos novos prédios deve custar em média 200 a 300 mil reais, o que corresponde a um perfil de morador com maior poder aquisitivo, fato inspirador de boas perspectivas para os comerciantes da localidade.
Espera-se também um reaquecimento na economia da região, não apenas no setor imobiliário, mas nas áreas de comércio e serviços em geral. “O estreito é um pólo de vendas e compras”, afirma o presidente da Associação Amigos do Estreito, Édio Fernandes, “mas que está defasado em termos de investimentos”. Nesse sentido, a expectativa dos comerciantes e da CDL é de que a Marginal chame a atenção dos investidores: “Ela vai atrair o empresariado”, afirma Afonso dos Santos.
A implantação da PC-1 transforma, ainda, dois outros itens na configuração do Estreito: segurança e lazer. No primeiro caso, a principal mudança é com relação à Vila da Miséria, comunidade carente situada na Ponta do Leal e considerada pela população um dos principais motivos da insegurança no bairro. A vila está no traçado da Beira-mar e terá de ser relocada para a construção da via; a previsão é de que seja feito, junto a essa comunidade, um trabalho semelhante ao implantado na Favela Chico Mendes, com a construção de casas populares dotadas de rede de esgoto, água e energia elétrica.
A questão do lazer é outra que será afetada pela PC-1. A pesquisa realizada para o estudo de impactos da via revelou que 22,51% dos entrevistados apontam a falta de lazer no bairro como o maior problema da região. Nesse sentido, o projeto da Marginal prevê, além da ciclovia e do passeio, a implantação de áreas verdes, quadras de esporte, pistas de skate e até um mirante na Ponta do Leal.
Discutido com a comunidade, o projeto foi apoiado por moradores e comerciantes; a Associação Amigos do Estreito se comprometeu com a fiscalização da obra e com a manutenção dos encontros para debater sobre o tema. “Ainda há alguns esclarecimentos que precisam ser feitos. Quando o aterro estiver se compactando, por exemplo, a obra vai parecer que está parada, e é preciso explicar isso à população”, esclarece Édio Fernandes. A expectativa agora é de que a nova gestão municipal dê continuidade à execução da obra.

O QUE DIZ O PROJETO
A Marginal PC-1, Prevista no Plano Diretor do Distrito Sede, terá 3,7 km de extensão – da cabeceira da Ponte Hercílio Luz à Ponta do Leal –, largura de pista de 11,4 m, 3.500 vagas de estacionamento, ciclovia de 1,8 km de extensão, passeio e áreas verdes, além de mirante na Ponta do Leal.
Para executar a obra, orçada em R$ 42,8 milhões, será preciso construir um aterro de 126 m², que utilizará areia drenada da Ponta do Coral (Beira-mar Norte). O consórcio Carioca-Sulcatarinense, vencedor da licitação, começou as obras em setembro, e o prazo de entrega da rodovia é de três anos.
Para dar início à execução do projeto, a Prefeitura contraiu um empréstimo de US$ 22,4 milhões junto ao FONPLATA (Fundo Financeiro para Desenvolvimento da Bacia do Prata), sendo US$ 13 milhões destinados à construção da PC-1 e o restante a outras cinco obras da Prefeitura. O empréstimo, que corresponde a 30% da capacidade de endividamento do município, será pago em 20 anos, com carência de 5 anos e meio.

PROJETO DISCUTIDO COM MORADORES DO BAIRRO
A Associação Amigos do Estreito, em reuniões mensais organizadas na Biblioteca Pública Municipal Barreiros Filho, discutiu com a comunidade e com os comerciantes do Estreito e região a implantação da Beira-mar Continental. Os encontros se ocuparam do esclarecimento da comunidade sobre os detalhes do projeto, e avaliaram as vantagens e desvantagens da implantação da nova via. “A comunidade aprova”, declarou o Presidente da Associação, Édio Fernandes, lembrando que as reuniões continuam a acontecer e que a execução do projeto será acompanhada de perto pela Associação e pela comunidade.
A Associação, criada há pouco mais de 4 meses, estava há quase 30 anos desativada, e aos poucos vai reconquistando seu espaço na vida da comunidade. Apesar de nova, a entidade já tem projetos para um centro comunitário e pretende ajudar na criação da associação dos pescadores da região.

entregue em Nov.3rd.2004

Planos pra um fim de semana

A personagem central é Ana, e seu objetivo é passar o dia de sábado. Ela pode escolher entre fazer as coisas que tem de ser feitas – como limpar a casa e estudar –, ou passar o dia descansando e se divertido. As duas opções se desenvolvem paralelamente, mostrando o que aconteceria se a personagem escolhesse uma ou outra alternativa. A história parte de um mesmo ponto, separa-se quando do momento da escolha, e converge, ao final, para o mesmo ponto, quando o objetivo da personagem foi alcançado – ou seja, quando as duas opções, de certa forma, já se concretizaram.

Ana dormindo e toca o despertador.
Ana olha o relógio e desliga o alarme. Se espreguiça, levanta esfregando o rosto e vai até o banheiro. Volta, abre o armário e escolhe um agasalho velho, de fazer faxina.
Ana olha o relógio e desliga o alarme. Vira pro lado, se arruma embaixo da coberta e volta a dormir.
Ana come torradas e toma café. Depois pega a vassoura e limpa a casa, passando o pano logo em seguida.
Ana dorme, se revirando embaixo das cobertas.
Ana começa a preparar o almoço. Lava as mãos, descasca as cebolas e pica, bem miudinho e com bastante método. Depois, descasca os tomates e pica, do mesmo modo. Então limpa a carne, põe os ingredientes na panela e espera cozinhar. Almoça.
Ana acorda e nem tira o pijama. Vai até o banheiro lavar o rosto e segue pra cozinha, com fome. Abre o armário a procura de algo fácil de preparar, mas só he bolachas e temperos. Abre a geladeira, ainda procurando algo de preparo rápido, mas não encontra, então pega uma cerveja e abre o freezer. Tira do freezer uma lasanha de caixinha (pré-preparada) e põe no microondas, enquanto abre a cerveja. Almoça.
Ana termina de almoçar e vai lavar a louça. Arruma a cozinha, põe uma toalha limpa na mesa e estende o pano.
Ana termina de almoçar e põe a caixa da lasanha no lixo. Empilha o prato na pia, que tem um resto de louça suja do dia anterior, não lava nada e sai da cozinha.
Ana senta pra estudar. Abre os livros organizadamente em cima da mesa e distribui as folhas, sem bagunça. Abre o caderno e fica estudando.
Ana senta no sofá e liga a TV. Pega o pacote de pipoca que acabou de ficar pronto no microondas e acende um cigarro. Entre uma tragada e outra, fica trocando de canal, sem dar muita atenção à programação.
Toca o telefone.
Ana marca com o namorado para ele ir à sua casa. Ele chega e eles sentam no sofá pra assistir um filme. Ficam no sofá, abraçadinhos, fazendo carinho um no outro e assistindo comportadamente ao filme.
Ana marca com o namorado para ele ir à sua casa. Ele chega e eles se beijam apaixonadamente; ainda se beijando, caminham até o quarto e fecham a porta. Ouvem-se risadas e sons que indiquem o que pode estar acontecendo no interior do aposento.
Ana se despede do namorado e ele vai embora. Ela põe o pijama e senta de novo pra estudar.
Ana decide com o namorado que vão sair, abre o armário e escolhe uma roupa sexy. Antes de sair, passa na cozinha e pega duas cervejas na geladeira e a carteira de cigarros em cima da pia. Saem.
Ana vai até a cozinha, abre a geladeira e bebe um copo de leite. Volta pra estudar.
Ana vai até o bar e pega mais uma caipirinha. Volta pra pista e fica dançando.
Ana, já bem tarde da noite, fecha os livros e vai escovar os dentes, preparando-se para dormir.
Ana, já tarde da noite, chega em casa completamente bêbada, cambaleia até o quarto e consegue pôr o pijama.
Ana deita e dorme.

entregue em Oct.28th.2004

Resumo do Livro FOTOJORNALISMO BRASILEIRO – Realidade e Linguagem, de Ivan Lima

O livro FOTOJORNALISMO BRASILEIRO – Realidade e Linguagem faz uma abordagem das principais funções de um repórter fotográfico, mencionando aspectos históricos do fotojornalismo no Brasil, e fazendo algumas alusões ao equipamento e suas características.
Já na Introdução o autor, Ivan Lima, insere um dado histórico importante: “A fotografia inaugura o mass media visual, quando o retrato individual é substituído pelo retrato coletivo” (p.9). Ainda sobre o perfil histórico, o autor menciona que a invenção da fotografia ocorreu em 1822, na França – sendo que fotografia significa “escrever com a luz”, pois vem do grego phos (luz) e graphein (escrita) – e que até então os pintores, gravadores e escultores eram os que dominavam a cultura icônica; além disso, a invenção da fotografia permite que se veja um fato mesmo quando não se está presente no local em que esse fato ocorre.
O segundo capítulo, intitulado De que fotografia afinal estamos falando?, menciona dois tipos de fotografia, a pictural e a funcional: “O fotógrafo pictural exprime o que lhe interessa, o que ele acha que é belo. Ele não está interessado em informar e sim em formar. [...] Os fotógrafos funcionais, que fazem a fotografia de informação publicada nos jornais e revistas, pensam, antes de tudo, em seus leitores, seus destinatários; [...] o assunto é que é um objeto, e a fotografia o transmite” (p.15-16). Ivan Lima faz questão também de reforçar que a imagem e a escrita não substituem uma à outra, sendo coisas diferentes e complementares, e diz que a foto acompanha o texto para que “facilite a atenção do leitor para a notícia e informe sobre ela” (p.16). O autor faz ainda uma subclassificação da fotografia por tópicos, dividindo-os em três grupos: a fotografia social, que aborda política, economia e fatos gerais; a fotografia de esporte, que fixa o que a matéria descreve e/ou o que foi divulgado por outras mídias; e a fotografia cultural e de lazer, que ilustra o tema do qual a notícia trata.
O capítulo É repórter fotográfico ou fotógrafo de imprensa?, explica o porquê dessa duas denominações; segundo o autor, repórter fotográfico é utilizado, primeiramente, por ser essa a nomenclatura utilizada na lei para se referir a esses profissionais; depois, porque quando surgiu essa função nos jornais, o fotógrafo também saía a procura de notícias. “O repórter fotográfico é na verdade o jornalista (categoria repórter) que colhe a notícia com a câmera fotográfica, enquanto o seu colega repórter o faz com a caneta” (p.24). A denominação fotógrafo de imprensa viria, então, da situação atual desses profissionais nas redações do país, em que os fotógrafos são apenas fotógrafos, e não possuem ingerência nas pautas, como ocorre com os repórteres que cuidam do texto. “O fotógrafo de jornal tem uma função principal: a síntese” (p.27).
No quarto capítulo, A Reportagem, Ivan Lima faz uma abordagem teórica e uma um pouco mais voltada à prática, mencionando que a fotografia na reportagem é essencialmente informativa, e deve trazer essas informação de forma mais completa possível: “tudo tem de estar no mesmo quadro: os personagens e suas relações com o espaço e com a circunstância” (p.35). O autor aconselha o fotojornalista a usar roupas de cores neutras, evitar falar e evitar o usar ou flash, sempre buscando a maior discrição possível, para que possa captar a real natureza dos fatos – "A função do fotógrafo é captar o acontecimento da forma como ele se desenvolve sem jamais interferir nele” (p.36). Por último, o capítulo informa que a “notícia vinculada com fotografia em um jornal é sempre mias lida” (p.39).
O capítulo A Pauta, explica que, quando o fotógrafo não é deslocado para cobrir um evento inesperado, ele segue a pauta – “roteiro dos fatos que devem ser dados pela reportagem”. O autor denuncia também que, hoje em dia, os fotojornalistas não participam da elaboração pauta, apesar de que esse quadro mudou um pouco com o surgimento das agências de fotógrafos independentes, e com o aparecimento das revistas semanais de informação, que não desejavam apenas uma foto síntese: “o sintetismo do fato jornalístico em uma imagem que abranja o máximo de facetas possível e que determine a imagem significativa da realidade enfocada foi substituído pelo documentário não só de diversas facetas do fato como do mais número possível de fatos e acontecimentos que cercam aquele acontecimento maior” (p.45) – esses assuntos serão abordados mais adiante.
O capítulo O Equipamento Fotográfico traz uma abordagem mais técnica, mencionando os principais equipamentos utilizados no fotojornalismo brasileiro. De 1945 a 1954, a Rolleiflex 6x6cm era utilizada pela revista O Cruzeiro; a câmera tinha alta precisão, mas pouca rapidez – e por isso as fotos da época era montadas, constituindo os chamados “megafones”. Posteriormente, as empresas jornalísticas começaram a utilizar a Leica 24x36mm, que mantinha a qualidade e tinha a agilidade que faltava na sua “irmã mais velha”; foi com a utilização da Leica que surgiu a fotografia espontânea no Brasil, introduzida pelo fotógrafo João Medeiros. As câmeras Nikon 24x36mm também são largamente utilizadas no fotojornalismo brasileiro. O autor menciona os avanços tecnológicos ocorridos nas décadas de 60 e 70, com as invenções japonesas da célula de sulfureto de cádmio – que permitia a correta associação de diafragma e velocidade – e das lentes grande-angular e teleobjetiva.
O capítulo As lentes diferencia as lentes grande-angular e teleobjetiva, sendo a primeira caracterizada por aumentar a proximidade com a cena, precisando de baixas luzes e conferindo profundidade de campo, e a segunda como sendo a indicada para fotos de longa distância, especialmente recortes, pois reduz o campo visual – por esses motivos, Ivan Lima afirma que “o único caso concreto do uso das teleobjetivas em fotojornalismo é na fotografia esportiva”.
O oitavo capítulo, intitulado Legenda, trata desta peça que quase sempre acompanha as fotografias no jornalismo. O autor define três funções para a legenda: a complementar, que “complementa a parte abstrata que a imagem não contém”, a explicativa, que indica para o leitor os elementos abstratos que ele não poderia identificar, e a evocadora, que aborda não só os aspectos abstratos, mas também introduz outras perspectivas sobre o assunto. Ivan Lima alerta ainda para o fato de que a legenda nunca deve descrever nem interpretar a fotografia.
O capítulo O Corte é curto e objetivo, e define o corte como sendo a tática utilizada pelo editor para adequar a fotografia ao espaço que se tem na chamada paginação, e para “retirar os elementos inúteis, dispensáveis” que essa fotografia possa conter e que possam prejudicar a sua leitura.
O capítulo dez, A Edição, ressalta a importância da fotografia para chamar a atenção do leitor, seja pelo alto poder informativo da imagem, seja pelo seu simbolismo. Sobre esse tema, foram extraídos do livro alguns trechos explicativos: “Os olhos vêem antes de lerem. [...] Assim, quando o editor de um jornal quer reforçar e prolongar o impacto da notícia sobre o leitor, a fotografia é ressaltada” (p.63); “O noticiário da televisão aumenta o interesse pelo jornal no dia seguinte, pois a televisão apresenta a informação sob a forma de seqüência de imagens, rapidamente. O jornal tem que mostrar o momento mais importante dessa notícia e o seu desenvolvimento, com uma imagem que mereça a atenção particular para ressaltá-la” (p.66); "Na edição de um jornal nem sempre a mais bela fotografia é a que vai ser publicada, mas a melhor do ponto de vista da informação e da lisibilidade. [...] Quando não há uma fotografia que mostre a notícia de forma informativa o suficiente, o editor pode optar por uma fotografia simbólica” (p.68).
O capítulo O Fotojornalismo em cores e as revistas semanais de informação faz uma abordagem histórica do tema. O autor cita a revista Veja – criada em 1968, nos moldes da revista estadunidense Times, “com injeção de capital norte-americano nos meios de comunicação no Brasil, facilitada pelo golpe militar de 1964 e pelo AI-5 de 1968” (p.72) – como a primeira revista de informação surgida no Brasil, e a propulsora do gênero no país; em 1970, Ivan Lima cita a criação da revista Realidade, pela Editora Abril, e em 1976, da revista Istoé, Editora Três, a primeira que abalou a supremacia da Veja. O autor destaca a importância do surgimento da Istoé na criação das agências de fotógrafos, pelo fato de que a publicação se dispunha a comprar o material de qualidade fornecido pelas agências, atitude que acabou servindo de exemplo a outras empresas do ramo de comunicação: “IstoÉ seguiria os moldes de pensamento das democracia européias (França, Itália e Alemanha), que abrem a análise a intelectuais, professores, pesquisadores e até cientistas. [...] Como a democracia no país não se consolidou, em poucos anos a experiência da IstoÉ passou a ser um modelo, e ela foi comprada por um grande grupo, voltando tudo como antes” (p.73).
O capítulo doze, As notícias em cores, estabelece uma diferenciação entre os objetivos e as utilizações das fotos em preto e branco e das fotos em cores. As primeiras são utilizadas principalmente em jornais – cujo objetivo é transmitir a informação – e as últimas em revistas – que buscam aprofundar a questão e utilizam, em geral, várias fotos em uma mesma reportagem. Para as fotos preto e branco, não importa o tipo de luz, mas a sua quantidade, diferentemente do que ocorre com a fotografia em cores – a qual, apesar de mais obvia e mais limita, é mais atraente, ou seja, melhor, do ponto de vista da publicidade: “pesquisas demonstram que as vendas aumentam proporcionalmente ao aumento das páginas em cores” (p.83).
O capítulo O fotojornalismo independente: os novos caminhos e as agências de fotógrafos traça um perfil histórico que vai desde o surgimento da Magnum, em 1947, na França – a primeira agência de fotógrafos independentes –, passando pela criação da F4, em 1978, em São Paulo – uma das únicas dentre as muitas agências surgidas nesse período que se mantém em funcionamento até os dias de hoje. Ivan Lima também menciona uma série de fotógrafos consagrados, a nível mundial e nacional, e faz um breve histórico dos principais trabalhos de alguns deles – como Henri Cartier-Bresson, Robert Capa, Juca Martins e Nair Benedicto, por exemplo.
O autor conclui o livro expondo a situação das agências independentes no Brasil, e faz uma breve análise da situação da imprensa brasileira e do papel dos fotojornalistas nesse cenário: “O domínio da imprensa brasileira está em poucas mãos. A informação brasileira é dominada por uma dezena de grandes jornais e revistas semanais. [...] Todos se situam politicamente na direita, oscilando levemente até o liberalismo de centro-direita do espectro político. [...] Como o fundamento das agências de fotógrafos é claramente progressista, cabe-lhes o avanço desse gênero de trabalho coletivo, pioneiras que são nesse sistema de autogestão. Aos fotógrafos independentes cabe uma parte da tarefa de furar as regras do sistema conservador, modificar a ótica do jornalismo, andar pra frente” (p.90).

Ref. Bibliográficas - Oct.28th.2004
LIMA, Ivan. Fotojornalismo Brasileiro – Realidade e Linguagem. Rio de Janeiro: Fotografia Brasileira, 1989.

entregue em Oct.28th.2004