Wednesday, October 13, 2004

As personagens do Teatro de Guerra

Dos 21 modelos de aeronaves que a Força Aérea Brasileira (FAB) possui, oito estão sendo utilizados na FAEX VI (Força Aérea em Exercício). Eles desempenham diferentes funções, como patrulhamento, resgate e ataque ao inimigo.
O monitoramento terrestre normalmente é feito pelo R-99 – o mesmo utilizado pelo SIVAM no mapeamento da Amazônia – e que também participa das missões de resgate. A patrulha marítima é feita pelo modelo P-95, mais conhecido como Bandeirulha, que trabalha em conjunto com a Marinha. Em situações de paz, sua função é manter a segurança na costa, evitando que embarcações não autorizadas entrem no mar territorial do Brasil. Nos casos de guerra, como os simulados na FAEX, o Bandeirulha identifica os navios inimigos, acompanha seus movimentos e coordena os ataques – ocupando a função de PDATAR, Posto Diretor Aerotático no Ar.
Apesar de voar armado, o P-95 dificilmente ataca – só em casos de autodefesa –, pois é uma aeronave maior, mais lenta e menos manobrável que o caça (F-5). Este último é um modelo supersônico, capaz de atingir 2100 km/h e indicado para situações de ataque. Nessas ocasiões também pode ser utilizado o Tucano, AT-27 – de performance inferior à do F-5 – e que realiza, ainda, a escolta de helicópteros em operações de busca e salvamento (SAR).
Outro modelo utilizado nessas operações de resgate é o Esquilo (H-50). Sua função inicialmente era de observação, sendo agora de escolta armada e ataque ao solo. O H-34, conhecido como Super Puma, é o que efetivamente executa os resgates. Ambos são aeronaves de asas rotativas – helicópteros. Com características semelhantes, há também o Sapão (H-1H), de tamanho intermediário entre o Puma e o Esquilo e que foi largamente utilizado na Guerra do Vietnã, na década de 60.
Sendo desta época, o Sapão é o modelo mais antigo utilizado pela FAB; o mais novo é o R-99, fabricado nos anos 90. No entanto, equipamentos modernos não são suficientes para se vencer uma possível guerra: é necessário um centro de comando e controle (c²) eficiente, capaz de coordenar as missões e empregar os recursos disponíveis da melhor forma possível.

em conjunto com Andressa Taffarel
publicada em Oct.11th.2004
http://www.resgateemcombate.com.br/faex/matinfo.asp?codigo=141

Breve biografia de Richard Avedon

Nascido na cidade de Nova York, em 15 de maio de 1923, o fotógrafo estadunidense Richard Avedon ingressou no YMHA camera club ao 12 anos, e aos 17 largou a escola para trabalhar em uma empresa da área fotográfica. Dois anos depois, ingressou na Marinha Mercante dos Estados Unidos, na seção de fotografias, e ganhou uma Rolleiflex de presente de seu pai – que, nessa época, não fazia idéia de que o filho se tornaria um dos maiores fotógrafos do mundo.
Richard Avedon é considerado um dos principais responsáveis pela expansão da industria da moda e da “era das supermodelos”, tendo fotografado desde Naomi Campbell e Cindy Crawford a Marilyn Monroe e Brigitte Bardot. Foi ele também quem ajudou a mudar os parâmetros das fotos de moda, abandonando as poses rígidas e formais em prol de representações mais naturais e irreverentes. Seus retratos traduzem um certo tom não lisonjeiro e até mesmo irônico. “Comecei tentando criar um mundo ‘fora de foco’ – uma realidade mais intensa, diferente do comum, que em vez de afirmar, sugerisse as coisas”, disse o fotógrafo certa vez, em entrevista à The New Yorker.
Em 1945, Avedon ingressou na revista Harper's Bazaar, onde permaneceu até 1965, quando foi para a Vogue, a publicação rival. Posteriormente, o fotógrafo trabalhou na revista The New Yorker – onde foi o primeiro fotógrafo contratado – e chegou a ser considerado o fotógrafo mais bem pago do mundo.
Com 12 livros publicados, Avedon ganhou mais de 30 prêmios e expôs em museus por todo mundo, destacando-se entre eles o Metropolitan Museum of Art, em Nova York, e o National Gallery of Art, em Washington. O fotógrafo estadunidense tem trabalhos seus no acervo de 18 instituições, como o Musée de l'Elysée, na Suíça, e o National Portrait Gallery, na Inglaterra.
Nos últimos anos, Avedon vinha trabalhando sem vínculo permanente com nenhuma publicação, e se dedicava às campanhas publicitárias no ramo da moda – em 2004, entre outras, da H&M, Dior e Bill Blass – e aos retratos de personalidades, como, por exemplo, o crítico político Michael Moore e o candidato à presidência dos Estados Unidos, John Kerry . Nos últimos meses o fotógrafo vinha trabalhando no projeto On Democracy, da revista The New Yorker.
Richard Avedon faleceu nos Estados Unidos, em 1º de outubro de 2004, aos 81 anos, após um derrame cerebral.

“Se um dia passasse e eu não fizesse nada relacionado à fotografia, seria como se eu estivesse negligenciando alguma coisa essencial à minha existência, como se eu esquecesse de acordar.”
Richard Avedon

Ref. Bibliográficas - Oct.7th.2004
http://www.richardavedon.com
http://www.cnn.com/2004/SHOWBIZ/10/01/obit.avedon.ap
http://news.bbc.co.uk/1/hi/world/americas/3709022.stm
http://www.estadao.com.br/divirtase/noticias/2004/out/01/105.htm
http://www.cbc.ca/story/arts/national/2004/10/01/Arts/avedon041001.html
http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/articles/A1633-2004Oct1.html?sub=AR
http://www.ocaiw.com/galleria_nudo/gallery.php?author=68&id=662
http://www.guardian.co.uk/obituaries/story/0,,1318867,00.html

entregue em Oct.14th.2004

Breve biografia de Eddie Adams

Nascido a 12 de junho de 1933, na cidade de New Kensington, Pennsylvania, o fotógrafo estadunidense Eddie Adams teve seu primeiro contato com fotografia ainda na escola, durante o segundo grau, quando participou de edições do jornal do colégio. Como profissional, algum tempo depois, começou cobrando 20US$ para fotografar casamentos e outras ocasiões, e, enquanto servia na Marinha, registrou momentos da Guerra da Coréia.
Não demorou muito para que seu talento aflorasse e fosse reconhecido: em 1962, Adams foi contratado pela Associated Press, de onde saiu em 1972, voltando em 1976 e permanecendo até 1980. As revistas Time, Life, Parade e outras publicações também editaram vários trabalhos do fotógrafo estadunidense – que, apesar de cobrir várias áreas, como política, eventos sociais, e inclusive do mundo da moda, se destacou por suas fotos de guerra: ao todo foram 13 conflitos registrados por suas lentes.
E foi uma dessas fotos de guerra que, em 1969, rendeu a Adams o Prêmio Pulitzer: a imagem [ao lado] era de um militar estadunidense (Nguyen Ngoc Loan) disparando uma arma contra um prisioneiro vietnamita, e estampou a capa de vários jornais do mundo todo, chocando a população – principalmente a dos Estados Unidos, que começou a pressionar o governo pelo fim da guerra. Polêmica, a foto marcou Loan em sua volta pra casa, e anos mais tarde Adams esclareceria: o vietnamita havia matado um amigo do militar, junto com a esposa e os seis filhos daquele. “Eu estava ganhando dinheiro por mostrar um homem matando outro. Duas vidas haviam sido destruídas e eu estava sendo pago por isso. Eu era um herói”, declarou o fotógrafo, desgostoso, algum tempo depois de ganhar o prêmio.
Adams se orgulhava mesmo era de uma série de fotos, tiradas em 1977, de um grupo de imigrantes do Vietnã, em um barco, após o fim da guerra, tentando refúgio nos Estados Unidos: as fotos ajudaram na decisão de conceder o refúgio aos vietnamitas. “Teria sido melhor eu ganhar o Pulitzer por algo assim. Isso fez algum bem e ninguém saiu ferido”, declarou Adams, que além desse, acumulou outros prêmios durante sua carreira, como o Robert Capa Award e, por três vezes, o George Polk Memorial Award. Dos retratos que tirou de personalidades, destacam-se o do ex-presidente estadunidense Richard Nixon, do Papa João Paulo II, de Deng Xiao Ping, Anwar Sadat, Fidel Castro e Mikhail Gorbachev.
Em 1988, o fotógrafo estadunidense criou o Eddie Adams Workshop “Barnstorm”, uma maratona de quatro dias realizada anualmente em outubro, onde profissionais e novatos – selecionados previamente – têm a oportunidade de participar de palestras e atividades práticas, trocar experiências e aprender mais sobre a arte da fotografia.
O último projeto de Adams foi um vídeo que tinha como objetivo ajudar – durante um evento beneficente – na arrecadação de fundos para a Associação da Distrofia Muscular, doença que, ironicamente, foi diagnosticada no fotógrafo em maio desse ano. Vítima da síndrome, Eddie Adams, morreu em 19 de setembro de 2004, aos 71 anos.

Ref. Bibliográficas - Sep.27th.2004
http://abcnews.go.com/wire/US/ap20040919_686.html http://www.guardian.co.uk/arts/news/obituary/0,12723,1309851,00.html
http://www.washingtonpost.com/ac2/wp-dyn/A33900-2004Sep19?language=printer

entregue em Oct.7th.2004

Resenha do livro Olga de Fernando Morais

O livro-reportagem Olga, do jornalista Fernando Morais, foi escrito em 1985 e precisou de quase três anos de pesquisas para ser concluído. Projeto antigo de Morais, o livro é uma biografia de Olga Benário Prestes – esposa de Luís Carlos Prestes –, comunista alemã reconhecida e admirada por sua coragem, ousadia e resistência.
Filha do respeitado advogado Leo Benário, um jurista judeu de idéias liberais, e de Eugénie Gutmann Benário, “uma elegante dama da alta sociedade”, Olga foi a primeira jovem burguesa a pedir filiação ao Grupo Schwabing, uma organização clandestina composta por militantes da Juventude Comunista, proibida algum tempo antes. Dedicada, Olga – que ingressou no grupo aos 15 anos – estudou as teorias comunistas e participou ativamente do movimento, sendo selecionada, em fins de 1934, para escoltar Prestes de volta ao Brasil. Aqui, junto com alguns agentes selecionados, organizariam a “revolução comunista brasileira”, que culminou, em novembro de 1935, com a chamada “Intentona Comunista” – uma tentativa frustrada de revolução. Ocorrida durante o governo Vargas, a insurreição catalisou a perseguição aos comunistas; a polícia política prendeu milhares de militantes e suspeitos, principalmente na região do Rio de Janeiro; entre os presos, estavam Olga e Prestes.
A história contada por Fernando Morais é escrita de maneira envolvente, onde os detalhes, minuciosamente pesquisados, reconstituem os fatos e as cenas com a maior veracidade possível. O jornalista, que tem em seu currículo outras obras investigativas (A Ilha, Socos na Porta, Não às usinas nucleares), entrevistou mais de 170 pessoas, entre elas o próprio Luís Carlos Prestes e sua filha com Olga, Anita Leocádia Prestes; o autor teve também o cuidado de contextualizar a história de sua personagem principal na história do Brasil e, muitas vezes, do mundo. O livro, publicado pela primeira vez há quase 20 anos, foi reeditado em 2004 (17ª edição) pela Companhia das Letras, e estreou no cinema – com roteiro de Jaime Monjardin – protagonizado por Camila Morgado.

Ref. Bibliográficas
MORAIS, Fernando. Olga. São Paulo: Editora Alfa-Omega, 1986.

entregue em Oct.6th.2004

Resumo do livro Sociologia da Sociedade Brasileira de Álvaro de Vita

O livro Sociologia da Sociedade Brasileira, de Álvaro de Vita, traz uma abordagem histórica da sociedade brasileira, analisando sua íntima relação com a economia e a política. Procurando explicar como se deram as lutas entre as classes, as disputas pelo poder, as reivindicações e conquistas do povo, o livro traça um perfil da sociedade brasileira desde seu princípio.
“A economia e a sociedade brasileiras surgiram como um capítulo da lenta transição que ocorreu na Europa Ocidental, entre aproximadamente finais do século XV e finais do século XVIII, do regime feudal ao regime capitalista” . Do ponto de vista econômico, inicialmente a produção utilizava mão de obra escrava, nas lavouras de cana-de-açúcar, partindo em seguida para o emprego de mão de obra assalariada, constituída basicamente de imigrantes italianos, que trabalhavam nos cafezais paulistas. Politicamente, o país começou o século XVI como colônia portuguesa – sem governo autônomo ou centralizado –, tornando-se, com a vinda da Família Real para o Brasil, em 1808, Reino Unido de Portugal e Algarves; com a independência em 1822, o regime monárquico foi adotado, sendo substituído, em 1888, pelo modelo republicano.
Desse modo, em 1930, tinha-se: [a] uma massa de trabalhadores rurais que começava a migrar para cidade em busca das melhores condições de vida prometidas pela industrialização em curso; [b] o poder, até então concentrado nas mãos das oligarquias paulista e mineira (“república café com leite”), que passava – a partir da Revolução de 1930 – a contar agora com a participação da oligarquia gaúcha, de setores do exército e da recente burguesia industrial; [c] a economia, que aos poucos mudava seu eixo dos latifúndios monocultores para as cidades em explosão de crescimento. Nesse contexto, as classes operárias começavam a ter espaço para fazer suas reivindicações: jornada de trabalho de 8hs diárias, folga semanal, etc.
O pós-45, com o fim do Estado Novo (instituído por Getúlio Vargas em 1937), foi caracterizado pelo populismo, política em que a participação popular existia mas era manipulada pelos grandes grupos detentores do poder, ou seja, as massas participavam da política – democracia, voto direto –, mas ligadas aos partidos das classes dominantes. É nesse período também que surge o nacionalismo, ideologia que sustentava o desenvolvimento capitalista ‘nacional’ (sem participação do capital estrangeiro) e segundo a qual o Estado representaria os “interesses gerais” da sociedade – a única conquista notável do nacionalismo foi a campanha pela nacionalização do petróleo, que culminou com a criação da Petrobrás, em 1953.
Como a presença política popular começasse a ameaçar os interesses das classes dominadoras, o Golpe Militar é dado em 1964: se a manipulação populista não cumpria mais a função de controlar as massas, a repressão assumiria agora esse papel . O período compreendido como a Ditadura Militar (1964-1985) foi bastante conturbado, do ponto de vista social, e muito complexo por uma série de fatores. Em termos de ideologia, a “doutrina da segurança nacional” constituía uma forma de as forças armadas “ajudarem” na organização da sociedade, eliminando a chamada “ameaça comunista” – tanto externa, vinda da URSS, quanto interna, “infiltrada” nos movimentos trabalhistas; “no plano econômico [...] os militares se limitaram a eliminar as últimas barreiras para dar continuidade ao modelo econômico implantado no governo de Juscelino Kubitschek” ; por outro lado, se a economia crescia (“milagre econômico” da década de 70), o salário mínimo e a qualidade de vida não acompanhavam esse desenvolvimento. “A sociologia brasileira dos anos 70 denunciou seguidamente que o crescimento econômico brasileiro se fez à custa de um agravamento das imensas desigualdades sociais” .
Mas se o “milagre econômico”, num primeiro momento, satisfez as massas, anos de repressão, desrespeito aos direitos individuais e exclusão social acabaram catalisando as forças contra o regime; entre os movimentos mais notáveis do período da Ditadura, estão as grandes greves dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo (em 1978-9), os comícios que reuniam milhões de pessoas nos estádios e nas ruas, a campanha pelas “Diretas Já!” e – como conseqüência de toda essa movimentação – a instalação do processo de “redemocratização” do país, que culminaria com as eleições diretas de Fernando Collor de Mello, em 1990.
De forma didática – sem ser simplista – o livro Sociologia da Sociedade Brasileira dá um panorama da história da sociedade brasileira, aprofundando-se em questões de cunho ideológico, político e econômico, e buscando levar o leitor a um entendimento da complexa estrutura social do país. O livro traz ainda textos complementares sobre os temas abordados em cada capítulo e indica uma bibliografia bastante diversificada.

Ref. Bibliográficas
VITA, Álvaro de. Sociologia da Sociedade Brasileira. São Paulo: Editora Ática, 1989.

entregue em Oct.1st.2004

Notas sobre o livro Rádio: 24 horas de jornalismo de Marcelo Parada

Capítulo 1 – O que é notícia?
São características da notícia: proximidade; relevância; imediatismo; fatos que despertam interesse (o que o ouvinte precisa saber e o que ele quer saber); drama; entretenimento; serviços úteis (hora certa, emergências, denúncias, atos do governo, saúde, reclamações dos ouvintes, previsão do tempo, esporte, condições do trânsito e das estradas).
Pontos a se observar na possível notícia: importância; tragicidade; raridade; ‘o último’ ou ‘o mais recente’; ‘o maior’ ou ‘o primeiro’; ‘o mais caro’; algo que acabou de acontecer/ vai acontecer.

Capítulo 2 – A reportagem no rádio
O som é a matéria prima, e deve “ilustrar sonoramente” o que se diz – barulhos de sirene, vozes emocionadas/alteradas, fôlego ofegante de um repórter que corre, etc.
“O trabalho do jornalista de rádio não deve ser reproduzir um registro sonoro na forma da voz de uma pessoa” (p.35), ou seja, o repórter não deve se limitar a colocar as entrevistas no ar, ele deve buscar outras informações e registros sonoros “ilustrativos”.
A reportagem deve trazer um relato preciso do fato, declarações dos envolvidos e suas possíveis razões, informações em off e ruídos do ambiente. Ela pode ser em vários formatos; por exemplo, cobertura ao vivo e depois uma edição, para os ouvintes que não estavam sintonizados quando da primeira transmissão da notícia; notícias importantes – como morte de personalidades, situações complicadas do trânsito, etc. – devem ter chamadas freqüentes, com o tempo entre uma e outra variando de acordo com a importância da notícia.
É aconselhável que o repórter tenha sempre um gravador a mão – com pilhas e fitas extras –, e que anote, depois da entrevista, os trechos que mais chamam a atenção, bem como a pronúncia correta do nome do entrevistado; é melhor se essas anotações forem feitas em blocos de papel, e não em folhas soltas; é importante também redigir o que se vai dizer, antes de ir ao ar.

Capítulo 3 - Texto e edições
Em geral o texto para rádio é “manchetado”, ou seja, frases curtas, normalmente com dois locutores, em ordem direta e sempre com verbo, de modo a manter a atenção do ouvinte. Lembrar sempre que quando o leitor lê o jornal ele pode reler um parágrafo que não entendeu, e que quando assiste à televisão as imagens auxiliam-no a entender a mensagem, enquanto comumente se ouve o rádio enquanto se faz outra coisa. O texto deve ser claro e direto.
Dependendo de como a edição de uma matéria é feita, esta pode enfocar vários pontos diferentes, enfatizar determinada informação ou fonte, etc.

Capítulo 4 – Treinamento valioso
Trabalhar na área de edição dá ao repórter uma visão geral de todo o processo de informação, desde a busca das fontes, a redação da matéria, a gravação e etc.
“A diferença é visível: uma reportagem feita por alguém que passou pela edição apresenta texto mais claro e enxuto, sonoras mais contundentes e curtas e conta com maior quantidade de recursos”. (p.64) Além dessas, o texto de rádio possui outros elementos: deve ser escrito do jeito que se fala, sem ser coloquial ao extremo, nem usar gírias/jargões; deve ser escrito em ordem direta e sempre com verbo – o uso gerúndio é vetado, e o do infinitivo imprime força ao que se diz; dar preferência a formas positivas, evitando o uso de “não”; não classificar as notícias (engraçada, triste, ... ), nem começar o texto com citação em aspas, pronomes pessoais ou expressões como ontem ou e; utilizar números redondos. Aconselha-se também que, na hora de redigir o texto para o locutor, o repórter destaque o que deve ser enfatizado na leitura.

Capítulo 5 – Padronizar e organizar
Alguns aspectos devem ser padronizados dentro da emissora; entre eles, destacam-se a forma como se vai pronunciar determinados nomes, o tamanho e a fonte dos textos entregues aos locutores, o tempo e a forma dos boletins. Aconselha-se ainda uma reunião semanal, pra definição de metas e linhas de ação; a redação de um manual do veículo também é interessante.

Capítulo 6 – A pauta
Devem ser acompanhados os fatos diários – escolhidos de acordo com os interesses e necessidades do ouvinte –, sabendo-se quando concentrar os esforços em um determinado evento. A participação do ouvinte como fornecedor de pautas também é importante, bem como a do repórter, que não só pode como deve levantar pautas. Deve-se, ainda, acompanhar os assuntos levantados pela rádio em reportagens anteriores e estar atento a possíveis “furos jornalísticos”.

Capítulo 7 – Como funciona uma rádio
“Às 8h, com o diretor de Jornalismo e o editor chefe são definidos os principais temas do dia. [...] Outro grupo cuida dos programas temáticos, que, em geral, ocupam a grade de programação entre 10h e 17h. [...] Depois, por volta das 20h é feita um balanço e uma avaliação dos temas do dia”.(p. 93-95)
““O horário entre 5h e 10h determina os maiores índices de audiência no segmento do radiojornalismo.” (p.93) “É considerado o horário nobre.” (p.97)

Capítulo 8 – A madrugada
É o momento em que se apuram as informações do fim de noite e da madrugada, e que devem ser preparadas para os noticiários da manhã, o “horário nobre” do rádio.

Capítulo 9 – Trânsito e estradas: os dez mandamentos
São muito importantes, e deve-se lembrar que muitos dos ouvintes dos radiojornais estão no carro, no trânsito, e se interessam por saber se acontece algo no caminho até seus destinos. Como não é possível informar sobre todas as ruas – principalmente nos grandes centros urbanos –, informe sobre as vias que ligam as principais regiões, localizando o trecho citado (“à altura X”), e utilizando as denominações do ouvinte em vez dos nome oficiais – por exemplo, Marginal Pinheiros e não Avenida das Nações (p.105). Além disso, é importante que os boletins sejam freqüentes, e que informem apenas os problemas, mas sugiram soluções; converter o engarrafamento de quilômetros para minutos e a velocidade de km/h para tempo extra que leva para se fazer o percurso facilitam a reação do ouvinte.

Capítulo 10 – Agenda e telefone
Ter uma agenda com nomes de possíveis fontes é sempre útil. Atualmente, uma lista de e-mails também torna as coisas mais práticas. Além disso, é importante sempre perguntar o nome e o cargo do entrevistado, assim como conversar com ele um pouco, antes de gravar a entrevista, e alertá-lo para que não use termos muito técnicos.

Capítulo 11 – O ouvinte-repórter
A participação do ouvinte é muito importante. Além disso, lembre-se de que há milhares de ouvintes e que eles podem estar em muito mais lugares do que os repórteres da rádio, passando informações e impressões – como em casos de engarrafamentos, acidentes e etc.

Capítulo 12 – Campanhas que mobilizam a comunidade
A rádio pode levantar campanhas e estimular a comunidade a agir no sentido de resolver os problemas da sua região, bem como atentar para determinados fatos que preocupem ou que mereçam louvor. A rádio pode também, além de incitar as campanhas, acompanhá-las.

Capítulo 13 – O rádio nos Estados Unidos
O modelo de rádio seguido pelos estadunidenses difere muito do utilizado no Brasil. “O esquema [daqueles] consiste em noticiários seguidos de 20 minutos, numa seqüência interminável. A qualquer hora do dia ou da noite, feriado ou final de semana, o ouvinte sabe que a cada 20 minutos começa um noticiário. [...] O curioso desse formato, no qual os comerciais são dispersos (e não seqüenciais, como no Brasil), é a sensação de que há mais tempo dedicado á notícia”. (p.124)

Capítulo 14 – Como conseguir o primeiro emprego em rádio
Características (obvias) do candidato a repórter de rádio e alguns esclarecimentos a mais sobre o que ele vai encontrar em seu futuro emprego.

Ref. Bibliográficas
PARADA, Marcelo. Rádio: 24 horas de jornalismo. São Paulo: Editora Panda, 2000.

entregue em Sep.20th.2004

A influência da Revolução Árabe e do pensamento de Ibn Al-Haytham (Alhazen) na ciência a partir do século XI

Nascido em 965 a.C., na cidade de Basra, Iraque, o árabe Abu Ali al-Hasan Ibn al-Haytham – conhecido no ocidente como Alhazen – é um dos mias notados e importantes cientistas de todos os tempos. Tendo descoberto e registrado os princípios da visão e da câmara escura, ainda fez observações de fenômenos físicos como reflexão e espectro de cores, influenciando experimentos e conclusões nos séculos seguintes.
Alhazen descobriu que a luz se propaga em linha reta – princípio da câmara escura, que ele construiu e utilizou para observar os astros. Percebeu, mais que isso, que no processo de visão a luz vem dos objetos e é recebida pelos olhos, e não o contrário, como propunham Ptolomeu e Euclides. Aristóteles já havia conjeturado, anteriormente, que a luz não saia dos olhos em direção aos objetos, mas não provara a suposição, como fez Alhazen: o árabe convidou alguns observadores a olharem fixamente para o sol, e isto lhes queimou a retina: ou seja, era do objeto que partia a luz.
Mas a descoberta desse fenômeno em si perde em destaque se pensarmos na revolução que o experimento originaria: não foi com base em suposições ou teorias matemáticas que Alhazen provou sua tese, foi através da experimentação. O que para a ciência contemporânea parece obvio – sendo inclusive o primeiro passo do chamado método científico –, para os estudos da época foi uma forma absolutamente nova de pesquisar e concluir. O próprio Alhazen afirma: “A argumentação não elimina a dúvida para que a mente possa repousar sobre o garantido conhecimento da verdade, a não ser pelo método da experimentação. Porque, se um homem que nunca viu o fogo provar por meio de argumentos que o fogo queima, a mente de seu ouvinte jamais ficará satisfeita nem evitará o fogo até colocar a mão nele e poder, então, aprender pela experiência o que a argumentação lhe ensinara”.
Apesar desses registros datarem do início do século XI, foi só em meados do século seguinte que ficaram conhecidos, quando os árabes foram expulsos da península ibérica e as obras de suas bibliotecas traduzidas para o latim. Talvez tenha sido Roger Bacon o primeiro a receber influência dos pensamentos de Alhazen, formulando o conceito de que as coisas deviam ser entendidas não como um todo, mas como vários pequenos pedaços de um todo. Outro trabalho em que se percebe essa influência é o do polonês Witelo, que aperfeiçoou algumas observações do árabe sobre geometria da visão; destaca-se ainda Johannes Kepler, que utilizou os princípios de Alhazen para construir equipamentos de observação dos astros – segundo a qual formulou as leis do movimento planetário.
É de especial interesse para a fotografia o aperfeiçoamento no uso da câmara escura – a “ancestral” da máquina fotográfica –, que havia sido descoberta séculos antes pelo chinês Mo Tzu, e cujas propriedades foram mais amplamente exploradas por Alhazen. Com base em suas descobertas sobre funcionamento das câmaras escuras e do olho humano, puderam ser construídos aparelhos como a câmara fotográfica e o telescópio, e que com o passar dos anos foram se aperfeiçoando e incorporando novas tecnologias, até chegarem aos modelos que conhecemos hoje em dia.
É importante lembrar ainda o nome de outros cientistas árabes que se fizeram notáveis, e cujas obras também ficaram conhecidas a partir da tradução das bibliotecas muçulmanas deixadas na península ibérica após a expulsão dos árabes em fins do século XI; são alguns deles: Ibn Sina, Ibn Rushd e Ibn al-Biruni.

Ref. Bibliográficas - Sep.9th.2004
POWERS, Richard. A idéia luminosa de IBN Al-Haytham. O Estado de São Paulo, Caderno 2 - Cultura - 20/06/99. p.D18.
http://www.islam.org.br/al_haitham.htm
http://www.ime.unicamp.br/~calculo/history/al_haitham/alh.html
http://home.att.net/~mleary/alhazen.htm
http://www.wordiq.com/definition/Alhazen

entregue em Sep.16th.2004